A administração do Centro Hospitalar do Tâmega e Sousa (CHTS), sediado em Penafiel, considerou hoje “inapropriadas” as críticas ao Hospital de São Gonçalo, em Amarante, defendendo ter havido “um grande crescimento” desde 2016 nos cuidados prestados.
“Acho que se fazem misturas que são inapropriadas, porque os dois hospitais [Penafiel e Amarante] não são iguais”, observou Carlos Alberto Silva, o presidente do CHTS, em declarações ao Expresso de Amarante.
Segundo referiu, aconteceu [em Amarante] “um grande crescimento desde 2016”.
“Nós tínhamos 48 camas de internamento em utilização, hoje temos 60, aumentámos mais de 150 por cento as cirurgias de ambulatório, aumentámos larguissimamente os meios complementares de diagnóstico, passámos para lá uma parte da clínica do pé diabético e também uma boa parte de oftalmologia”, expôs, como exemplos das melhorias.

As atuais instalações da unidade de Amarante, designada Hospital de São Gonçalo, abriram em dezembro de 2012, tendo a sua construção custado cerca de 27 milhões de euros.
O hospital serve os concelhos do Baixo Tâmega (Amarante, Celorico de Basto, Baião e Marco de Canaveses) e integra, conjuntamente com a unidade de Penafiel (Hospital Padre Américo), o Centro Hospitalar do Tâmega e Sousa, constituído em 2008.
Há vários anos que se ouve críticas da população e da autarquia de Amarante ao funcionamento do hospital, com a perda de serviços para Penafiel, desde que perdeu a sua autonomia com a integração no CHTS.
O presidente da Câmara, José Luís Gaspar, tem feito várias declarações críticas, aludindo ao subaproveitamento daquela unidade hospitalar face ao custo que teve, reclamando mais valências que melhorem a prestação de serviços e evitem deslocações da população para Penafiel.

Carlos Alberto Silva recorda, porém, que os centros hospitalares, como o do Tâmega e Sousa, “são para criar sinergias e aproveitar bem os recursos”.
“Lamento não agradar a algumas pessoas quando digo isto, mas tenho a certeza que a população está muito mais bem servida assim e o centro hospitalar tem a gestão de recursos muito mais apropriada desta forma”, acrescentou.
O dirigente explicou, por outro lado, que o Hospital de S. Gonçalo foi construído “numa lógica dos chamados hospitais de proximidade, que são hospitais com uma dimensão mais reduzida e que têm uma capacidade de resposta diferente, muito baseada nas cirurgias de ambulatório, nas consultas e nos meios complementares de diagnóstico”.
O gestor insistiu que “houve um crescimento enorme do hospital de Amarante”, mas admitiu haver “espaço para crescer mais”.
“Para podermos ter um crescimento muito maior, teríamos de ter um número de profissionais muito superior”, observou, defendendo que “crescer Amarante não é como se ouve muitas vezes”.
“Não vejo como possamos ter outra vez uma maternidade em Amarante. Eu não posso, por exemplo, estar a passar a ortopedia e outras especialidades de Penafiel para Amarante. Não faz sentido esse tipo de lógicas”, sinalizou.
Para Carlos Alberto Silva, “a complementaridade do hospital de Amarante relativamente ao hospital de Penafiel faz sentido e tem vindo a ser feita”.
“É legítima a aspiração da população, mas é bom que se perceba o enquadramento correto dos hospitais” acrescentou, enquanto admitia a necessidade de “estudar para Amarante novas valências, coisas que sejam diferentes do que às vezes se fala”.
O dirigente insistiu que “no centro hospitalar, o hospital de S. Gonçalo tem um papel importante e tem vindo a desempenhá-lo”.