Uma aluna do Colégio de São Gonçalo, em Amarante, propôs a reutilização de carolos de espigas de milho para construir tampos de mesa, no âmbito de um projeto finalista de curso do ensino secundário que foi publicado, recentemente, num jornal científico internacional.
O “Mesaolo”, designação que resulta da combinação das palavras “mesa” e “carolo”, foi um de cinco trabalhos da disciplina “Projeto Tecnológico” que o colégio apresentou, no final do ano passado, à 28.ª edição do Concurso de Jovens Cientistas, no âmbito da Mostra Nacional de Ciência.
O projeto foi editado na mais recente edição do Open Schools Journal for Open Science, um jornal científico internacional que publica trabalhos de alunos europeus, desde o ensino básico ao secundário.
Ao Expresso de Amarante, Beatriz Brás, de 18 anos, explicou que a ideia surgiu quando procurava um tema para a apresentar na disciplina integrante do currículo do curso de Química Industrial e Laboratorial.
“Numa conversa que tive com o orientador, o professor Luís Freitas, lembramo-nos que eu vivia entre agricultores, a minha família incluída, e que haveria algum tipo de desperdício resultante que poderia ser reutilizado”, recordou.
Atualmente a estudar no primeiro ano de enfermagem, no Instituto Politécnico de Bragança, explicou que vive em Mancelos, onde “toda a gente planta milho” e que os carolos de espiga são, normalmente, queimados.
“Depois de pensar bem no assunto, chegamos à conclusão que se poderiam reutilizar como tampos de mesas de escola”, adiantou, sublinhando que nesta aplicação, para além da reutilização de um desperdício, se poupa também no uso de matérias-primas, como madeira.

A aluna também idealizou um processo de fabricação próprio, uma solução que, recorda, se deve um pouco à pandemia da covid-19.
“Não havia forma de realizar parcerias nem receber ajudas de empresas, no meio da pandemia, portanto, fizemos a nossa própria prensa”, explica, acrescentando que, no final, “o projeto superou as minhas expetativas, fiquei mesmo surpreendida”.
Beatriz fez questão, ainda, de salientar o papel dos docentes em “encorajar os alunos” e a fomentar o espírito de trabalho no âmbito deste tipo de projetos.
“Tive mesmo muita sorte, em me calhar o professor Luís Freitas como orientador deste projeto, que esteve sempre esteve disposto e disponível a ajudar a superar as minhas dificuldades”, recorda.

Em declarações ao Expresso de Amarante, o orientador frisou a publicação num jornal científico internacional foi o “feito maior” do projeto.
“Foi incluído numa publicação que inclui, entre outros benefícios, a tão importante revisão de pares, o que não é fácil conseguir fazer hoje, em dia”, explicou Luís Freitas.
O docente adiantou que a publicação é a segunda que o Colégio de São Gonçalo publicou, recentemente, num jornal científico internacional, algo que é importante tanto para os alunos como para a própria escola, recorda.
“Devia-se registar a patente deste projeto, mas é um processo moroso e caro, em Portugal. Apesar de tudo, com esta ideia, a Beatriz vai ficar com um currículo fantástico, independentemente da carreira profissional que vai seguir”, concluiu.