António Aires apresentou livro sobre embarcações e património do rio Tâmega

O professor António Aires apresentou, no domingo, um livro dedicado ao rio Tâmega, suas embarcações e património cuja edição culminou mais de duas décadas de pesquisa e documentação, indicou o autor, em declarações à imprensa.

 

“Barcos do Tâmega de Amarante” começou, há mais de 20 anos, como um projeto para documentar as diversas embarcações que, ao longo de vários séculos, adornaram as margens do rio, nomeadamente as tradicionais guigas, mas também como um registo das memórias do autor sobre o assunto.

O livro, editado pela Câmara de Amarante, foi apresentado na tarde de dia 08, no Museu Municipal Amadeo de Souza-Cardoso, perante uma plateia que encheu o espaço de exposições temporárias.

A cerimónia foi presidida por José Luís Gaspar, presidente da Câmara de Amarante, e por Rosário Machado, responsável pelo departamento de Cultura da autarquia.

“Os barcos eram importantíssimos para Amarante, mas também estavam associados a uma série de vivências. Hoje olhamos para o rio e vemos que não tem condições para nadar, mas, pelo menos,  podemos sempre relembrar os lugares onde costumávamos passar as nossas tardes de verão”, disse o autor, à parte do evento.

António Aires acrescenta que, contudo,  o anúncio da intenção de construir a Barragem em Fridão, projetada para iniciar em 2012, veio dar ao projeto um novo alento e maior urgência.

Na altura, adianta, a sua preocupação principal era documentar os barcos tradicionais e rejeitar a invasão das “gaivotas”, embarcações turísticas de pedal que começaram a circular na zona histórica da cidade.

“Quando se falou na Barragem de Fridão, surgiu uma preocupação sobre o património que iria afetar e também a poluição que poderia dali resultando. Nesse sentido, procurei trabalhar contra o que entendi o que seria a destruição de uma memória”, acrescenta.

Ao longo das quase 500 páginas da publicação, o autor debruça-se sobre variados temas, sempre com o rio Tâmega em pano de fundo.

A navegabilidade do rio para fins comerciais e de transporte, os engenhos de linho, a pesca, a exploração de recursos são vários dos variados assuntos abordados, ilustrados com fotografias, desenhos e a reprodução de documentos históricos.

A queda da ponte ameada de São Gonçalo é outro assunto abordado por António Aires, que lança a dúvida sobre a data da sua destruição, anotando que há documentos que atestam que ocorreu em 1762 e não em 1763.

“O livro tem muita investigação histórica, tem novas informações desconhecidas, até de mim próprio, que põem em causa verdades assumidas, até agora. É um marco histórico, na minha opinião, porque, pela primeira vez, se levanta o contraditório sobre alguns assuntos da história de Amarante”.

 

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