Um habitante de Gatão transformou um muro de suporte na sua propriedade num mural que celebra momentos, impressões da sua vida e simbologia nacional, recorrendo a cerca de 300 mil rolhas e tampinhas de plástico.
A obra começou “num impulso” há cerca de três anos depois de se ver impossibilitado de entregar várias centenas de rolhas de plástico a uma instituição social da cidade, explicou António Teixeira, em declarações ao Expresso de Amarante.
“Recolhia essas rolhas para dar às instituições no âmbito de programas de trocas por material de apoio, mas a certa altura comecei a pensar que poderia fazer algo mais interessante com elas e comecei com um esboço inicial, ali na entrada”, explicou.
O projeto cresceu rapidamente, adianta, impulsionado, em parte, pelo entusiasmo de amigos, familiares e vizinhos, que lhe entregavam centenas de rolhas, quase praticamente todos os dias.
“Houve alturas em que de manhã que encontrava, à entrada da propriedade, sacos cheios de rolhas que ali me deixavam”, acrescenta.

O antigo encarregado de construção civil de 73 anos, que vive entre Portugal e França, onde está emigrado há várias décadas, explicou que desde que se reformou sentiu a necessidade de estar sempre ocupado “a fazer qualquer coisa”, tendo realizado pequenos trabalhos artesanais na oficina que instalou na garagem da casa.
O trabalho do mural é realizado, na maioria, com rolhas de plástico, mas também algumas de cortiça e aborda temas diversos, que são acrescentados de forma aleatória e sem um desenho prévio, afiança.
“Não faço desenhos, simplesmente penso no que quero adicionar e assim começo a fazer”, sublinhando que há, contudo, um único pormenor, o de uma carroça puxada por um burro, que nasceu de um esboço.
O leque de temas, muito diverso, reflete, sobretudo, a vida do artesão e muito do que o rodeia. “É o que, naquela altura, me vem à cabeça”, anota.

Fazem parte da obra os seus três filhos e seis netos, todos atualmente a residir em França, os emblemas de clubes de futebol locais e múltiplas referências ao Futebol Clube do Porto.
Há ainda, entre muitos outros temas, diversos animais, o Galo de Barcelos e do brasão, inacabado, da unidade militar portuguesa em que integrou durante a Guerra Colonial.
António Teixeira pretende concluir o dístico militar do batalhão e unidade de caçadores que esteve destacado em Angola, mas recorda está com falta de rolhas negras.
“São as mais difíceis de encontrar, é o que me faz mais falta agora”, explica. E acrescenta:
“É um muro grande, mas espero ainda a vir acabar o projeto. Subir a escadas já está fora de questão, portanto em altura, vai só até aos dois, três metros. Mas espero poder ir pelo menos até ao seu fim, em extensão”.
