Os presidentes da União de Freguesias de Amarante e de Vila Caiz não vão distribuir máscaras à população, defendendo que o investimento “é melhor aproveitado na resolução de questões mais urgentes” nos respetivos territórios.
Os autarcas explicaram a sua posição num debate virtual promovido pela plataforma Vamo-nos Levantar onde também participavam os presidentes de junta de Vila Meã, Lino Macedo, e de Gouveia-São Simão, Liliana Ribeiro.
Na sua intervenção, Jorge Ricardo (Vila Caiz) concordou que a distribuição de máscaras de certeza que iria ao encontro das expetativas da população.
“É um gesto, sobretudo, mas depois de avaliar a questão, decidimos que o investimento poderia ser canalizado para resolver, de forma definitiva, alguns problemas prementes da freguesia”, afirmou.
Relembrou, contudo, que a importância do uso da máscara de proteção foi abordada, frequentemente, no âmbito de política de comunicação da autarquia.
Ainda há caminhos de terra batida em Vila Caiz
O autarca explicou que decidiu proceder à realização de obras, nomeadamente na rede viária, justificando com o exemplo de que ainda existem caminhos de terra batida em Vila Caiz.
Numa intervenção anterior, estimou em cerca de 45 mil euros o valor das intervenções na freguesia, durante o período de confinamento.
Jorge Ricardo adiantou, ainda, que o investimento nas infraestruturas é para continuar, nos próximos meses, aplicando as verbas destinadas aos eventos culturais entretanto cancelados.
Investimento em máscaras iria dificultar outros apoios
Por seu lado, Joaquim Pinheiro (União de Freguesias de Amarante) argumentou que a realidade “é diferente entre freguesias”.
A união, que agrega as antigas freguesias de São Gonçalo, Madalena, Cepelos e Gatão, é o maior núcleo urbano do concelho.
“Se fossemos entregar três unidades a cada um dos nossos seis mil domicílios postais, seriam perto de 18 mil máscaras a um custo estimado de 20 mil euros”, adiantou.
O autarca explicou que este investimento, a realizar-se, iria dificultar uma série de iniciativas entretanto lançadas pela autarquia, para dar resposta a “situações mais urgentes”.
Joaquim Pinheiro elaborou, explicando que se empenhou a apoiar, na área da alimentação, perto de seis dezenas de famílias carenciadas da cidade, em parceria com a Conferência Vicentina de São Gonçalo.
Instituições não estavam preparadas para alterações
Um problema que se agudizou, frisou, pelo encerramento das escolas do concelho.
“As crianças deixaram de ter acesso às refeições escolares”, adiantou, explicando que, por consequência, os pedidos de apoio alimentar sofreram alterações para as quais as instituições não estavam preparadas.
Adiantou, ainda, que a autarquia colabora num banco alimentar entretanto criado por voluntários locais, prestando apoio logístico.
“Esta semana adquirimos um frigorífico, por exemplo, para se conservar os alimentos perecíveis”, adiantou. E acrescentou:
“O investimento nas máscaras iria ser significativo e acredito que nos iria dificultar na prestação deste tipo de apoio”.