O Bosque dos Avós, criado em 2018 num baldio de Aboadela, conta hoje com 1.600 novas árvores plantadas por avós e netos de todo o mundo, que se associaram à ideia de José Claudino Silva, mentor da iniciativa.
José Claudino Silva, de 70 anos, decidiu um dia que iria plantar uma árvore em nome da sua neta Catarina, na serra do Marão.
“Na altura pedi autorização, mas indicaram-me que não era possível”, explicou ao Expresso de Amarante o mentor do Bosque dos Avós.
O antigo chapeiro de automóveis conta que percebeu que se associasse mais avôs e netos à ideia, talvez fosse possível convencer as autoridades em criar um bosque em Aboadela, nas faldas do Marão.

“Na altura, arranjei 40 netos, mas ideia chegou à RTP, que mostrou interesse e nos entrevistou. Em duas semanas, acabei por associar cerca de 400 netos ao projeto”, explicou.
Em finais de março de 2018, o Bosque dos Avós arrancou com a plantação de 400 árvores num terreno cedido pelo Conselho Diretivo dos Baldios de Aboadela, com apoio da União de Freguesias de Aboadela, Sanche e Várzea e o Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF).

“O número rapidamente chegou às 600 plantas, esgotando a capacidade do terreno”, adiantou José Claudino, acrescentando que, entretanto, lhe foi concedido mais espaço para aumentar o bosque.
“Hoje temos inscritos cerca de 460 avós oriundos de praticamente todos os continentes, responsáveis por 1600 árvores”, acrescentando que não há mais porque chegaram ao limite das possibilidades de cuidar pelas plantas.

Atualmente, a associação que fundou para cuidar do projeto está a construir uma cabana no local para dar apoio a algumas atividades.
“Também já instalamos umas mesas, para as refeições. Vamos acabar por ter um local, agradável, com uma vista esplêndida e condições para organizar atividades”, acrescenta.
José Claudino adiantou, ainda, que pretende, no futuro, georreferenciar cada árvore para que seja possível identifica-la, individualmente, numa fotografia de satélite.

O responsável também indicou que estão a trabalhar para ter uma maior diversidade de plantas no bosque “para ajudar as abelhas”.
Para o avô, contudo, o mais importante é o fato de que o local à volta do Bosque dos Avós está a ser alvo de uma reflorestação comercial.

“O Bosque dos Avós vai ter a companhia de milhares de árvores, daqui a 20 anos. Continuaremos a cuidar dele pelo menos nos próximos dois anos, mas eventualmente deixará de necessitar de nós, porque o que a natureza tem de bom é que se torna independente”, conclui.