Cães em Vila Garcia: Município acompanha caso e aguarda decisão das autoridades

Voluntários da Ajudar Animais em Amarante alimentam os cães que permanecem na propriedade

A Câmara de Amarante garante que tem estado a acompanhar a situação de dezenas de animais a viver em aparentes condições insalubres, em Vila Garcia, e que continua a aguardar por uma decisão da autoridade judiciária a quem o caso foi entregue.

 

Em resposta a um pedido de esclarecimento colocado pelo EXPRESSO DE AMARANTE, a vereadora com o pelouro da Saúde, Lucinda Fonseca, explica que técnicos da autarquia têm visitado o local desde que o caso foi denunciado, no verão passado.

Adianta que, até à data, o Município não foi notificado de qualquer decisão ou intervenção por parte do Ministério Público, que tomou conta da ocorrência.

Mais recentemente, uma associação sem fins lucrativos, que também estava a monitorizar a situação, denunciou a existência de novas ninhadas de cachorros no local e que iria suspender as suas atividades de captura e de acolhimento dos animais.

 

Há novos cachorros na propriedade – foto Ajudar Animais em Amarante

 

Por seu lado, os funcionários do Centro de Recolha Oficial (CRO) de Amarante, por vezes acompanhados pelo SEPNA da GNR, têm encetado “conversas de sensibilização com a proprietária para que se possa recolher os cães que ali permaneceram”, explica Lucinda Fonseca.

Numa dessas inspeções, realizada a 27 de novembro de 2019, foram avistados quatro cães e três cadelas, mas só um tinha o microchip instalado.

“Mais uma vez a proprietária foi alertada para o excesso de cães e que os funcionários estavam ali para a ajudar a resolver essa situação, através da recolha de alguns desses animais. Nesse mesmo dia capturaram um cão e uma cadela prenha”, explica, frisando que as capturas, na maioria, são feitas na via pública.

Elabora, explicando que só em algumas situações a proprietária consentiu o acesso à propriedade e que raramente presta auxílio ou segue as recomendações dos técnicos e agentes de autoridade.

Aponta, ainda, para o facto do terreno estar mal vedado e que os animais se aproveitam da situação para ali entrar.

Quanto à presença, no mesmo espaço, de gado doméstico, esclarece que a proprietária é detentora de uma exploração agrícola registada, que dispõe de campos de pastura e que procede à sua alimentação.

“Pode ter esses animais, não está a incorrer em nenhuma ilegalidade”, indica, acrescentando que a alimentação dos cães pode explicar a presença de ossadas.

 

Presença de gado doméstico é legal, assegura a Câmara Municipal – foto Ajudar Animais em Amarante

 

A vereadora esclareceu, ainda,  que o CRO de Amarante se encontra devidamente apetrechado com os “meios necessários e adequados à boa execução das tarefas, semelhantes aos utilizados nos outros Municípios”.

“O CRO está a fazer a averiguação, controlo de população, recolha, esterilização e posterior promoção da adoção, como é sua missão”, explica, frisando que foi criado mais espaço no canil municipal para acolher os animais capturados.

Concluiu, aproveitando a ocasião para “sensibilizar e relembrar” que a resolução destes problemas “começa na casa de cada um, através da contenção e esterilização” dos animais de companhia. E acrescenta:

“É uma situação em que ainda existe muito trabalho a fazer, por parte do Município e de todos os parceiros nesta causa, apesar do já extenso caminho percorrido. No CRO são dispinibilizados a esterilização, o microchip, a vacina da raiva e a desparasitação. Se este caminho for feito, além de beneficiar o bem comum, liberta espaço para recolhermos mais animais da rua”.

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