Câmara quer autocarro elétrico na linha do Tâmega enquanto aguarda o comboio

A Câmara de Amarante vai celebrar com a Infraestruturas de Portugal um acordo para a antiga linha do Tâmega, onde a câmara quer pôr a circular um autocarro elétrico, enquanto não for possível o regresso do comboio, segundo o presidente do município.

 

“Está tudo acertado, só falta assinar”, disse José Luís Gaspar, acrescentando, em declarações à Lusa, que o entendimento com a IP prevê que a autarquia tenha três anos para concretizar aquele projeto.

 

“PROJETO NÃO PÕE EM CAUSA O COMBOIO”, SEGUNDO GASPAR | FOTO: ARMINDO MENDES

 

Na prática, explicou, será colocar um autocarro elétrico a circular em vaivém (canal será pavimentado), entre a cidade de Amarante e a estação de Livração (Linha do Douro), utilizando o percurso de 14 quilómetros da linha férrea que foi encerrada em 2009, com horários alinhados com a CP, facilitando a mobilidade.

O autarca de Amarante diz que o projeto custará cerca de quatro milhões de euros e não porá em causa a reivindicação de fundo do município, que aponta para a reativação da ligação ferroviária, considerada “estratégica para o desenvolvimento do concelho”.

“Isto não porá em causa o comboio, muito pelo contrário. Quando houver condições para ele vir, para tudo”, acentuou José Luís Gaspar, sinalizando que a ideia do projeto do autocarro elétrico é “manter o canal ativo e funcional para que possa ser rapidamente convertido, se for necessário”.

Assim, insistiu, manter-se-á “viva a necessidade que aquela linha seja para transporte de passageiros”, contrariando a ideia dos que a queriam transformar numa ecopista, solução que atual gestão da câmara nunca apoiou.

O presidente social-democrata mostrou-se, por outro lado, “muito, mesmo muito satisfeito” por o deputado do PS, Hugo Carvalho, em declarações à Lusa, na terça-feira, ter defendido a importância de se avançar com um “amplo estudo” para reativar a Linha do Tâmega e de o parlamentar ter levado o assunto ao ministro das Infraestruturas, Pedro Nuno Santos.

José Luís Gaspar recordou que, desde que chegou ao cargo (final de 2013), se tem batido junto do Governo e das entidades que tutelam a ferrovia para criar condições para a reabertura da linha.

 

O REGRESSO DO COMBOIO AMARANTE CUSTARÁ PELO MENOS 35 MILHÕES DE EUROS

 

Referiu até que a câmara mandou fazer um estudo que apresentou ao Governo, sinalizando as vantagens para Amarante e para os concelhos limítrofes, nomeadamente da região de Basto, questão que, reforçou, se torna atualmente mais premente com a recente chegada dos suburbanos do Porto à estação de Livração e a aposta política do Governo na ferrovia, que o município diz subscrever.

Um estudo da IP prevê que a reativação da infraestrutura ferroviária (antiga linha do Tâmega) implique um investimento de 35 milhões de euros, prevendo a correção de traçado, que seria três quilómetros mais curto que o atual, e a construção de novas obras de arte, incluindo pontes, uma vez que as atuais, segundo o estudo, já não reúnem condições para a circulação de comboios.

 

Armindo Mendes/LUSA

 

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