O Centro Hospitalar do Tâmega e Sousa anunciou hoje que está a preparar um projeto de acompanhamento de crianças até aos quatro anos, com consultas multidisciplinares, envolvendo pediatras, psicólogos e outros profissionais.
A medida foi avançada pelo presidente do Conselho de Administração, Carlos Alberto Silva, que respondia ao desafio deixado pelo psicólogo Eduardo Sá, na palestra sobre “Famílias Prematuras”, que decorreu no Hospital Padre Américo, em Penafiel, na segunda-feira.
Carlos Alberto Silva endereçou o tema para as equipas profissionais, para que definam o modelo de funcionamento e promovam a articulação com os Cuidados de Saúde Primários, para implementação no futuro próximo.
Eduardo Sá destacou o impacto que o bebé prematuro tem na família
Não estamos preparados para ser mãe ou para ser pai, muito menos para sermos pais de um prematuro”, defendeu o autor de “Livro de Reclamações das Crianças” ou “Más Maneiras de Sermos Bons Pais”.
E acrescentou: “Essa experiência é devastadora, afetando a mãe, o pai e toda a família”.

Eduardo Sá contou ainda que “há casais que têm um nome escolhido para o bebé e que, quando se confrontam com a probabilidade de ele morrer, trocam e arranjam um nome de circunstância, para que, caso o bebé morra, não morra também o filho que eles idealizaram”.
Do ponto de vista psicológico o bebé nasce aos quatro meses
Ultrapassados os obstáculos iniciais, Eduardo Sá não vê um prematuro como uma pessoa diferente e nega que a prematuridade seja um atestado de défice cognitivo.
“A criança tem muito tempo para colocar as peças do puzzle todas no sítio”, importa-lhe o desenvolvimento psicológico do feto.
“Se, do ponto de vista obstétrico, o bebé deve nascer ao fim de nove meses, do ponto de vista psicológico, ele nasce aos quatro”, disse, lembrando que “tudo o que se passa na vida mental de uma grávida passa para o bebé”.
“É muito diferente o bebé passar os nove meses dentro da mãe ou dentro de uma incubadora”, disse e por isso defendeu a “importância de humanizar as incubadoras”.

Com esta palestra, o CHTS encerrou o evento “Ser Prematuro no CHTS”, organizada pela Unidade de Neonatologia, no âmbito do projeto Crescer com Afetos, e que decorreu de 15 a 18 de novembro, como forma de assinalar o Dia da Prematuridade e que contou ainda com uma exposição e um almoço com as famílias de bebés prematuros.
