A Associação Cultural Círculo Lago Cerqueira está a promover na sede de junta de São Gonçalo, uma exposição bibliográfica evocativa do 75º aniversário da morte de Fernando dos Reis, autor que escreveu sobre Amarante com “grande paixão e dedicação” mas praticamente desconhecido do público geral.
Filho de Alcino dos Reis, fundador da Casa das Lérias de Amarante, Fernando dos Reis (1915 – 1947) dedicou grande parte da sua curta vida à escrita de crónicas, sonetos e versos publicados, sobretudo, no Jornal Flor do Tâmega, onde expressou a sensibilidade, o amor e a saudade por Amarante.
Aquele autor também editou dois livros, estando um terceiro em preparação aquando da sua morte, a 30 de abril de 1947.
Em declarações ao Expresso de Amarante, o presidente da associação justificou esta exposição, sublinhando que apesar de um corpo de trabalho diversificado, Fernando dos Reis é, ainda hoje, “uma personagem desconhecida de Amarante”.
“É um dos desígnios do Círculo Lago Cerqueira dar a conhecer estas pessoas menos conhecidas”, começa por sublinhar Pedro Alves Pinto.

Sobre a homenagem ao poeta, falecido há 75 anos, o dirigente associativo indicou que, subsequente à exposição, irá ser editado um livro “muito abrangente” onde constará uma coletânea dos escritos na Flor do Tâmega, no jornal Vilarealense e noutras publicações.
Escritor atento à realidade da cidade escreveu sobre o seu potencial turistico e defendeu criação de bairro social
Apesar de possuir uma forte veia poética, Fernando dos Reis foi também autor várias crónicas onde detalha as potencialidades de Amarante como destino turístico que, apesar de distantes, em quase oito décadas, ainda hoje se encontram atuais.
“Tudo o que valorizamos atualmente, em termos de património e potencial turístico de Amarante, estão nos escritos deste autor: a apresentação e promoção da cidade aos turistas, o vinho, o comércio tradicional e mesmo, já naquela altura, uma visão turística para o Marão, entre outros”, adianta Pedro Alves Pinto.
Alguns dos seus escritos também incluem crónicas de viagem, nomeadamente à Suíça, onde procurou, sem sucesso, a cura para a tuberculose, à qual acabaria por sucumbir.
Por outro lado, era um seguidor atento dos feitos do então muito jovem Amarante Futebol Clube, sobre quem escreveu diversas crónicas de jogos.

“Era um amarantino de gema, muito bairrista. Escreveu sobre Teixeira de Pascoaes, por exemplo, mas também defendeu, em prosa, a criação de um bairro social para os pobres da cidade”, adianta. E acrescenta:
“Acredito que ninguém escreveu como Fernando dos Reis, sobre esta cidade, com tal paixão e dedicação. Por outro lado, aquela experiência de viajar pela Europa, deu-lhe uma abertura enorme sobre as perspetivas de Amarante, em particular o seu potencial no turismo”.
A exposição evocativa da falecimento de Fernando dos Reis está patente no auditório da sede da junta de freguesia de São Gonçalo, em Amarante, até ao final de maio.