O presidente da Câmara de Amarante e deputados da maioria PSD/CDS defenderam o plano de investimentos para o segundo mandato da coligação, frisando que não deixa de fora as freguesias e acusaram os deputados do PS de “fazerem política à custa dos presidentes de junta socialistas”. PS acusou câmara de falta de diálogo com as juntas socialistas.
A troca, por vezes tensa, de acusações entre as duas bancadas registou-se durante o debate do relatório de atividade e das contas do município, apresentado na primeira reunião de assembleia municipal do ano, na sexta-feira.
José Luís Gaspar começou por responder ao presidente de junta de Ansiães, António Durão (independente) que utilizou a expressão “muita parra, pouca uva” para ilustrar o que afirmou ser uma falta de investimento nas freguesias.
“Os senhores sabem bem o que eu disse aqui, que (no segundo mandato) tínhamos prioridades (para os primeiros dois anos), e que nos dois anos seguintes, o investimento seria nas freguesias”, respondeu o presidente de Câmara.
O edil aludia ao processo de aprovação de orçamento, que registou o voto contra dos socialistas, e referiu que só está a aguardar pelo visto do Tribunal de Contas para que possa arrancar com a execução das obras nas freguesias.
“O processo foi negociado por mim e mais 21. Uns terão mais agora, outros menos, mas a plano é investir nos próximos dois anos. O que está (acordado), está, não querem, não querem”, frisou.
A oposição reagiu à última afirmação, através do deputado Hugo Carvalho, que questionou se o edil estava a aludir a uma falta de vontade em realizar obras em juntas de freguesia socialistas.
José Luís Gaspar respondeu, explicando que o PS tinha sido claro na posição de não se rever no orçamento, sublinhando que declinaram obras que tinham sido pedidas pelos próprios autarcas socialistas.
“As obras que apresentei, irei faze-las, obviamente”, concluiu.

Em resposta, Hugo Carvalho acusou o edil de não dialogar com os presidentes de junta socialistas e de, “por via do repúdio e da força, fazer chantagem para que estes autarcas não possam exercer de livre forma os seus mandatos”.
“Eu confesso que admiro a sua coragem em transmitir que tratará, de forma diferente, os presidentes de junta socialistas”, rematou.
Vários deputados da coligação saíram em defesa da posição do edil social-democrata, que refutaram a ideia de que os presidentes de junta não tenham sido incluídos no processo de planeamento do orçamento.
“A incoerência não é da Câmara, mas sim de quem assim votou, que preferiu obedecer ao diretório partidário”, afirmou Carlos Carvalho (PSD).

António Araújo lamentou que se esteja a fazer política à custa das juntas de freguesia.
“Os presidentes de junta de freguesia têm toda a legitimidade e compreendo que queiram obras. Mas para isso ser possível, não pode haver esta crispação e tentativa de fazer política à sua custa”, concluiu.