O presidente da Associação Empresarial de Amarante (AEA) apelou à calma entre os empresários e aconselha a que recorram às linhas do serviço de apoio entretanto implementadas no início da semana.
Bruno Costa adiantou que o Governo tem “acertado” em algumas medidas de apoio, mas adverte que é preciso alterar o modo de financiamento das empresas.
Em declarações ao Expresso de Amarante, o dirigente da AEA assumiu ter “grandes preocupações” quanto o futuro do tecido empresarial do concelho, mas frisou que o mais importante, atualmente, é proceder com calma e procurar informar-se sobre eventuais soluções avançadas pelo estado.
“O Governo está a lançar e a alterar, todas as semanas, medidas de apoio às empresas. As linhas de apoio em Amarante foram implementadas para que os empresários possam adotar a melhor solução para os seus casos”, explicou.
Na segunda-feira, as associações empresariais de Amarante e Vila Meã, conjuntamente com o município, através da InvestAmarante, lançaram uma linha de apoio às empresas afetadas pelo atual surto do novo coronavírus.

Antes, no sábado, a ministra da Saúde anunciou em conferência de imprensa que o pico da pandemia em Portugal ocorrerá em finais de maio e não em abril, como incialmente previsto.
Bruno Costa explicou que, para muitos empresários, o adiamento foi um despertar para o facto que a crise despoletada pelo surto, que levou à paragem de muitas empresas, irá durar mais tempo.
“Nos últimos dias tem havido uma abundância de pessoas a contatar a nossa linha, e de certeza as outras duas, para tentar perceber o que poderão fazer, enquanto se aguarda pelo final desta crise ”, frisou.
Medidas de financiamento têm que ser alteradas
Sobre as medidas entretanto avançadas pelo executivo de António Costa, o presidente da AEA adiantou que vê uma evolução positiva em algumas, nomeadamente as alterações que simplificaram o regime de lay-off.
Contudo, advertiu, há ainda muito trabalho a fazer na área do financiamento de empresas que necessitam, urgentemente, de dinheiro para pagar a funcionários e fornecedores.
Explicou que, sem uma garantia “a 100%” do Estado, a banca continuará a recusar muitas das solicitações de empréstimos.

“Todos os casos de pedidos de financiamento de que temos conhecimento foram recusados. Há que trabalhar melhor esta área ou o futuro pode ser muito negro”, avisou.
O dirigente empresarial reafirmou, em jeito de conclusão, que há que enfrentar os próximos meses com alguma esperança e “pensamento positivo”, acrescentando que é importante estar atento às medidas de apoio que o Governo está a implementar.
“Neste momento, o mais importante é, logicamente, a saúde de todos. Seguir-se-á, de certeza a economia, que eventualmente recuperará, mais cedo ou mais tarde”, concluiu.