Covid-19: Associação empresarial questiona medidas que “prejudicam o comércio especializado”

O presidente da Associação Empresarial de Amarante (AEA) disse hoje ao EXPRESSO DE AMARANTE que o Governo está a “prejudicar” o pequeno comércio especializado com algumas das medidas implementadas no estado de emergência que vigora até 23 de novembro.

 

Bruno Costa refere-se em concreto às exceções à proibição de circulação, nomeadamente para a aquisição de produtos alimentares e de higiene em mercearias, supermercados e outros estabelecimentos comerciais.

“Mas depois (o Governo) acrescenta que esses estabelecimentos podem vender outros produtos, que não alimentares e de higiene, desde que os tenham disponíveis. Então, e a loja de roupa da Maria, a sapataria do António ou a papelaria do João?”, questiona.

De acordo com o dirigente, esta medida beneficia as grandes superfícies e hipermercados, em detrimento do comércio especializado.

 

Bruno Costa (dir) – foto Paulo Alexandre Teixeira

 

“Quem vende calçado ou roupa, por exemplo, sai prejudicado”, frisa, acrescentando que noutros países europeus onde foram implementadas medidas similares as grandes superfícies comerciais estão apenas autorizadas a vender produtos alimentares e de higiene.

Recorda, ainda, que nos anteriores períodos de confinamento, a linguagem usada pelo Governo indicava que as lojas que vendiam bens essenciais podiam estar abertas.

“Agora falam, em específico, em produtos alimentares e de higiene. Portanto, há aqui uma redução no número de lojas que podem abrir, desta vez”, frisa, recordando que se “criou uma angústia” entre os comerciantes, particularmente quando se acredita que o estado de emergência poderá ser prolongado.

 

Falta um fio condutor à atuação do Governo

O dirigente empresarial disse, ainda, que falta “um fio condutor” na atuação do Governo e que exemplifica com a implementação de “medidas que acabam por ser alteradas”.

“O caso da proibição das feiras e mercados é um bom exemplo, em que proibiram a sua realização, num primeiro momento, mas depois alteraram e passaram a responsabilidade dessa decisão para as câmaras municipais”, acrescenta.

Bruno Costa salienta que as medidas de apoio financeiro “são complicadas” e que os fundos acabam por ficar nas grandes empresas.

“Aconteceu no anterior período de confinamento, em que os fundos foram rapidamente distribuídos pelas grandes empresas e quando chegou a vez dos pequenos empresários, a linha de crédito já tinha esgotado”, conclui.

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