O presidente da Associação Empresarial de Amarante acredita que muitas das práticas e hábitos adquiridos ao longo dos últimos doze meses pelas empresas do concelho em resposta à crise provocada pela covid-19 “vieram para ficar”, destacando que muitas “tiveram que se reinventar” para vender os seus produtos.
Bruno Costa, em declarações ao Expresso de Amarante, sublinhou que a Internet passou a ter um “papel muito importante” na área empresarial e recordou a adoção do serviço de “takeaway” pela restauração, algo que era “residual antes da pandemia”.
“Muitas das práticas e hábitos entretanto adquiridos vieram para ficar, as vantagens do digital fazem parte disso. Se, antes, o mundo já estava à distância de um click, tornou-se mais real para as pessoas, ao longo do último ano”, afirma.
O dirigente reforça, explicando que o pequeno comércio provou que pode vender para um público maior, utilizando as novas tecnologias, frisando que há, atualmente, lojas de Amarante a vender para todo o mundo.

Anota que várias empresas lançaram websites e lojas online e “explodiram os diretos nas redes sociais”, um fenómeno que acredita que deveria ser alvo de estudo.
“Temos empresários, principalmente na área do vestuário, que dizem que vendem mais desta forma de que com a porta aberta”, acrescenta, frisando que será necessário “um reforço por parte da Autoridade Tributária” nesta área para controlar a economia paralela.
O presidente da AEA salienta que, com a crise, o número de desempregados cresceu no concelho, mas adianta que alguns já deram sinal que irão lançar a sua própria empresa, nos próximos meses.
Com o regresso da normalidade clientes vão voltar ao “antigamente”
Com o eventual regresso de alguma normalidade, Bruno Costa acredita, contudo, que muitos dos clientes irão voltar ao “antigamente”.
Justifica, explicando que as compras ao vivo dão “mais prazer ao consumidor, seja por ter a possibilidade de ver e tocar o artigo, seja pelas relações criadas entre pessoas”, sublinha. E acrescenta:
“Em dezembro, quando lançamos a campanha de compras no comércio tradicional, levantei esta série de questões: O que seria a nossa cidade sem lojas de rua? Teria a mesma alegria? Teria a mesma cor? As relações entre as pessoas seriam as mesmas? Penso que a resposta a estas questões não é difícil de dar: a cidade e todos nós ficaríamos a perder sem o comércio de rua. Por isso é tão importante o comércio local, ambos (digital e presencial) têm condições para perdurar desde que nós queiramos”.