Muitas das empresas afetadas pela a crise provocada pela pandemia da covid-19 tiveram problemas em aceder à ajuda do Governo que, “em alguns casos, esgotou rapidamente ou que demorou em chegar”, afirma o presidente da Associação Empresarial de Amarante.
Bruno Costa, em entrevista ao Expresso de Amarante, recordou que a crise resultou em perdas na restauração e comércio, destacando o setor da realização de eventos como “o mais afetado”.
“De uma forma generalizada é quem mais está a sofrer com esta pandemia, dado estarem há um ano sem trabalhar”, acrescenta.
Contudo, sublinha, algumas áreas como a construção e indústrias “felizmente” ainda não foram muito afetadas, até ao momento.
Apoios esgotaram ou não chegaram a tempo
Ressalvando que muitas das iniciativas de apoio entretanto lançadas tanto pelo Governo como pelo poder local “foram positivas”, anota que alguns dos programas do Estado são “complexos” e que os fundos se esgotaram rapidamente, antes de chegarem às micro-empresas.
Por outro lado, recorda, muitos pequenos empresários não se puderam candidatar por não reunirem condições “apesar de estarem encerrados ou com quebras na faturação”.
“Mesmo com o apoio aprovado nem sempre o dinheiro chegou rapidamente às empresas resultando em dificuldades de tesouraria no dia-a-dia”, sublinha.
O presidente da AEA expressa o seu receio de que muitas das empresas que sobreviveram, em 2020, ao primeiro confinamento recorrendo ao seu “pé-de-meia” não o poderão fazer uma segunda vez.
“Julgamos que algumas poderão não reabrir” acrescenta, sublinhando que o segundo confinamento e as perdas resultantes foram “uma surpresa” porque os primeiros dois meses de 2020 até foram de “crescimento” para algumas empresas do concelho.

No sentido de acelerar a retoma da atividade empresarial, Bruno Costa defende novas medidas de apoio, particularmente para os setores mais atingidos, como o turismo e o comércio.
Propõe, entre outras, campanhas de promoção de Amarante “dentro e fora do concelho”, ofertas de vouchers e descontos no comércio local.
Por outro lado, sublinha a importância do “digital” no comércio, defendendo a criação de uma plataforma que agregue os estabelecimentos locais.
“Por outro lado, o governo central deverá continuar a apoiar as empresas seja na flexibilização de pagamentos de impostos e segurança social, seja na injeção de dinheiro nas empresas que tiveram perdas e nos consumidores”, adianta. E acrescenta:
“O aumento do prazo das moratórias é algo que deverá ser tido em conta. Além disso é importante o apoio à digitalização das empresas seja na formação, na consultoria ou no apoio técnico”.