Diabos à Solta regressaram a Amarante em cerimónia abreviada pela pandemia

A cerimónia que assinala o regresso das figuras icónicas dos Diabos de Amarante à cidade, há mais de um século, foi retomada na sexta-feira e em modo restrito depois de um interregno por causa da pandemia da covid-19.

 

O evento, que normalmente se assinala a 24 de agosto, decorreu no Salão Nobre da União de Freguesias de Amarante, em São Gonçalo, com a participação da troupe T´Amaranto.

Em declarações ao Expresso de Amarante, o presidente da entidade organizadora, a associação Camerata das Artes, recordou que a pandemia colocou entraves à realização da celebração nos moldes habituais e para a qual procura o estatuto de Património Imaterial da Humanidade.

“Como estamos a preparar o processo de candidatura, era importante que houvesse uma atividade, mesmo que restrita, para memória futura e devidamente registada”, justificou Delfim Carvalho.

 

 

A cerimónia de sexta-feira replicou alguns dos momentos-chave do evento centenário, nomeadamente o “esconjuro” pelo historiador local António Patrício, a “queimada” e uma encenação pelo grupo de Teatro T´Amaranto.

No final, os participantes fizeram um pequeno périplo pelo centro histórico da cidade, com a passagem “obrigatória” pela Praça da República, em frente ao mosteiro de São Gonçalo.

“Isto vai ser muito importante para manter a possibilidade em realizar a candidatura”, frisou Delfim Carvalho, acrescentando que “se tudo correr bem” poderá entregar o processo daqui a dois anos.

“Neste momento estamos a documentar estas atividades, mais tarde teremos que recolher depoimentos de amarantinos, sobre o tema. Vai ser uma candidatura fortíssima, da sociedade civil”, concluiu.

 

 

As figuras dos Diabos de Amarante, um casal de “mafarricos” com prováveis origens da Índia, habitaram lado a lado com santos e anjos na igreja de São Gonçalo até 1809, ano em que foram queimados pelas tropas napoleónicas.

As réplicas que os substituíram foram banidas do templo, por ordem do Arcebispo de Braga, em 1870 e posteriormente adquiridas pelo comerciante inglês Albert Sandman, que os levou para Londres.

O par de estátuas foi devolvido a Amarante, em junho de 1919, tendo sido recebido em festa pela população.

A cerimónia tem sido replicada, desde então, no dia de São Bartolomeu, a 24 de agosto.

 

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