O impacto do surto da Codiv-19 no comércio e serviços vai obrigar à reformulação das prioridades de muitas das empresas da região, particularmente na implementação de serviços “online”, afirma a Associação Empresarial de Vila Meã (AEVM).
“Se, até hoje, o “online” não estava na lista de prioridades dos empresários, a pandemia veio alterar o panorama. De repente, descobriu-se um novo canal de vendas”, explica Rosário Meneses, secretária-geral da associação.
Ao Expresso de Amarante, a dirigente falava sobre a Linha do Comércio, uma plataforma digital que visa implementar lojas virtuais e um diretório de empresas da região.

Lançado em 2016 pela AEVM no âmbito do projeto Comércio Investe, a plataforma contou com a adesão de cerca de uma dezena de empresas locais, número que nada ou em pouco se alterou nos últimos quatro anos.
“Houve sempre dificuldades em atrair mais empresários ao projeto. Por um lado, porque alguns já estavam a fazer o marketing digital diretamente. Por outro, porque a ideia de uma loja virtual nem sequer ocorria a muitos deles”, adianta.
Pandemia alterou perceção sobre o online
Perante o encerramento de grande parte do comércio da região, durante os sucessivos estados de emergência, a AEVM abriu o diretório, de forma gratuita, a empresas que pretendessem anunciar os seus serviços de entrega ao domicílio e de take-away.
Aderiram 25 empresas, “não só de Vila Meã, mas de todo o concelho”, adiantou a mentora do projeto, acrescentando que uma boa parte estará a equacionar a implementação de uma presença mais permanente “online”.
“E temos tido sinais positivos por parte de várias delas, que já mostraram interesse em construir lojas virtuais”, acrescentou.
Loja virtual é uma extensão e não uma substituição
Rosário Meneses ressalvou que não está em causa a substituição da loja física, em si, mas a capacidade de alargar a oferta para fora da região e a novos clientes.
“A loja virtual não vem substituir a loja física. A grande vantagem do comércio tradicional é o facto de termos pessoas a prestar o serviço, e isso não se substitui. O “online” é simplesmente um serviço adicional, que complementa o que já existe”, frisou.
A secretária-geral da AEVM defendeu, ainda, que projetos como o Linha do Comércio são a forma mais eficaz de implementar uma presença “online”, porque vão além da simples construção do website.
“Uma das componentes destes projetos é a formação de recursos humanos, porque o que se pretende, no final, é que o próprio comerciante possa continuar a utilizar a plataforma de forma autónoma”, concluiu.