Encarregados de educação apelam a manutenção de docente no Centro Escolar Ilídio Sardoeira

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Um grupo de encarregados de educação enviou, esta semana, uma carta aberta e um abaixo assinado a vários governantes e entidades estatais a apelar pela manutenção do posto de trabalho de uma professora do ensino básico no Centro Escolar Ilídio Sardoeira, em Amarante, cuja permanência afirmam estar “em risco” com as recentes alterações ao regime da mobilidade de professores por doença.

 

Em causa, explicou ao Expresso de Amarante a representante do grupo de 21 signatários, está “o bem-estar e equilíbrio” dos alunos que irão iniciar, em setembro, o 3º ano e que são acompanhados por aquela docente, desde o primeiro.

Susana Freitas explicou que a continuidade da professora Liliana Fernandes, colocada naquele centro através do regime de mobilidade por doença, está em risco no âmbito das recentes alterações introduzidas pelo Governo no processo.

“Esta professora está com o meu filho desde o primeiro ano e foi excecional, em particular nestes dois últimos anos, de pandemia e confinamento, que foram os mais difíceis. Não achamos justo que, depois de ter consolidado todo um trabalho, e com um esforço incrível, seja colocada noutro sítio qualquer”, afirma.

A encarregada de educação assegurou, ainda, que os pais, alunos, a comunidade escolar e a própria docente “querem todos o mesmo”: a permanência daquela professora “extremamente competente e muito à frente, na forma como transmite conhecimento”.

“Quando os alunos se aperceberam do que se vai passar, choraram. Descobriram naquela professora um pilar fundamental e construiram uma relação emocional muito forte. Não faz sentido, agora, não ser ela a concluir o trabalho, no terceiro ano e último ano do básico”, acrescentou.

Os dois documentos, a que o Expresso de Amarante teve acesso, foram enviados em missivas à diretora do Agrupamento de Escolas Teixeira de Pascoaes, onde se insere a escola, Dina Sanches, ao ministro da Educação, João Costa e ao Presidente da República, entre outros.

Susana Freitas disse, ainda, que acha injusto que se tenha procedido a esta alteração da lei no final do ano letivo e garante que nenhuma das razões invocadas pela tutela, para as alterações, se aplicam neste caso.

O Expresso de Amarante tentou hoje contatar a diretora do Agrupamento de Escolas Teixeira de Pascoaes sobre este caso, sem sucesso.

Houve um aumento significativo de professores em mobilidade por doença – ministro da Educação

Na quarta-feira, o ministro da Educação foi ouvido em comissão parlamentar, a pedido do PCP, PAN e BE sobre as recentes alterações feitas ao regime de mobilidade por doença, que permite aos docentes pedir para mudar de escola.

Durante a audição, João Costa justificou as novas regras com o aumento significativo do número de professores em mobilidade por doença, que numa década passou de 128 para quase 9.000, e levou a uma desregulação que se refletiu em situações de abusos, por exemplo com casos de docentes que foram para outra escola na mesma rua.

Entretanto, a Federação Nacional dos Professores (Fenprof) considerou hoje que o ministro da Educação desrespeitou os docentes com as declarações feitas,  afirmando que João Costa “fugiu à verdade”.

A Fenprof contesta os números apresentados pelo ministro, afirmando que em 2012 eram “pelo menos, 1.678 docentes em mobilidade”, e diz que o ministro ignorou que, àquela data, existiam outros mecanismos concursais que permitiam a aproximação dos docentes à área de residência ou de onde recebem acompanhamento médico.

C/LUSA

 

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