O responsável pela edição da obra completa de Maria Eulália de Macedo, apresentada no sábado, em Vila Meã, afirmou que existem documentos e escritos inéditos da poetisa amarantina que vão ser editados, futuramente, num novo volume.
O livro “O Meu Chão é de Vertigem – Obra Completa”, que reúne os quatro trabalhos publicados em vida pela poetisa amarantina, foi apresentado no âmbito da retoma do ciclo de encontros com autores promovidos pela Junta de Freguesia de Vila Meã.
Maria Eulália de Macedo nasceu em São Gonçalo em março de 1921 e morreu em dezembro de 2011, aos 90 anos de idade. Na sua juventude, conviveu com vultos da literatura e das artes, nomeadamente Teixeira de Pascoaes, João Teixeira de Vasconcelos e Alexandre Pinheiro Torres, entre outros.
Em declarações ao Expresso de Amarante, José Rui Teixeira sublinhou ser importante recolher as contribuições da autora na imprensa local, adiantando que também existe um volume de cartas da sua autoria pertencentes ao espólio da escritora bracarense Maria Ondina de Braga, às quais lhe foi concedido acesso, recentemente.
“É importante fazer essa recolha e perceber aquilo que é passível de integrar num novo volume da obra da Maria Eulália, sobretudo entre o epistolário a Maria Ondina Braga, que me parece um documento humaníssimo e com uma força muito importante”, afirmou.

Sobre a autora, o editor fez uma comparação com o trabalho de Teixeira de Pascoaes, recordando que ambos partilham pontos comuns na sua obra, nomeadamente uma “dimensão telúrica” tendo Amarante como ponto de partida, salientando, contudo, que o que “Pascoaes assombrou, Maria Eulália desassombrou”.
“Todo o discurso de Pascoaes é sobre o assombramento e o espantoso. A Maria Eulália, sendo alguém da mesma terra, que conviveu com ele e conhecendo, no fundo, o mesmo código de linguagem profundo, desassombra. Tem o mesmo sentido de espanto, mas aquilo que Pascoaes fecha num universo mítico, ela escancara. É uma mulher de janelas abertas, o que faz uma leitura muito interessante e que complementa”, explicou.

A obra apresentada no sábado visa, sobretudo, realçar e elevar o trabalho da autora como poetisa, que também se destacou pela sua vida pessoal e as relações de grande proximidade com a comunidade, onde era conhecida por Lala ou Menina Lalinha.
“Quando alguém como a Lala é muito presente na comunidade, há um risco que se corre de ficar enredado nesse espaço tão intenso”, recordou, salientando que espera que a nova edição permita aos amarantinos descobrirem Maria Eulália, a poetisa. E acrescentou:
“Ela não pode perder o cunho com Amarante, que é dela, mas temos que a libertar dessa leitura e reivindica-la como uma autora nacional. É um passo muito importante, igualmente para os amarantinos”.
