Freguesias de Amarante e Marco queixam-se da qualidade da Internet

Lusa

Quatro freguesias de Amarante e Marco de Canaveses alertaram hoje para as dificuldades com a Internet e o impacto negativo nas crianças em situação de ensino à distância e nas pessoas em teletrabalho, devido à covid-19.

 

Um documento conjunto sobre o assunto é subscrito pelos presidentes da União de Freguesias de Várzea, Aliviada e Folhada (Marco de Canaveses), e das freguesias de Salvador, Gouveia – São Simão e Lomba (Amarante), todas lideradas pelo PSD.

Segundo os autarcas, os transtornos provocados pela situação afetam cerca de 5.500 habitantes, a maioria na envolvência da Estrada Municipal 570, uma das principais a ligar as duas sedes de concelho.

As dificuldades de acesso à Internet, por não haver fibra ótica no território, dizem, não são novas, mas acentuaram-se com o confinamento provocado pela pandemia de covid-19.

Crianças de várias zonas não conseguem, por vezes, aceder à Internet para assistir às aulas em casa, fazer pesquisas e enviar os trabalhos, disse hoje à Lusa o presidente da Junta de Salvador, Gabriel Gomes.

Centenas de pessoas em teletrabalho enfrentam as mesmas dificuldades, devido à lentidão e instabilidade das ligações por cabo. Também as redes de telemóvel apresentam várias deficiências, sinalizou o autarca.

Gabriel Gomes reforçou que no caso da sua freguesia não se compreende a situação, porque confina com a cidade de Amarante.

À Lusa, referiu que a rede de fibra ótica está a poucas centenas de metros de Salvador, mas tarda em chegar àquela localidade, apesar dos sucessivos pedidos da população juntos dos operadores.

O autarca lamenta o que se está a passar, falando de “uma situação de desigualdade” das pessoas, como os estudantes e os trabalhadores, que vivem naquela zona, que são muito prejudicados por não terem “um recurso que é hoje fundamental”.

“Estamos no distrito do Porto, mas estamos longe de tudo”, comentou.

Maria José Cerqueira, da Junta de Freguesia de Várzea, Aliviada e Folhada, disse à Lusa que tem reclamado o reforço da Internet desde 2015.

Os problemas mais vincados ocorrem em Várzea, onde as queixas são antigas.

A autarca disse ter insistido com as operadoras, mas a resposta que obtém indica que o número de clientes não justifica o investimento no reforço das ligações.

Com o estado de emergência, a situação agravou-se, afirmou, aludindo às queixas de alunos que não conseguem assistir às aulas à distância ou das pessoas em teletrabalho que enfrentam grandes dificuldades devido à lentidão dos acessos à Internet.

“O Governo não pode continuar a exigir que os alunos estudem em casa, quando não há condições para o fazerem, porque a Internet nas casas é demasiado fraca e está sempre a ter falhas”, concluiu.

O PSD anunciou hoje que vai interpelar o Governo sobre o assunto, com questões dirigidas aos ministros das Infraestruturas e ao ministro da Economia e da Transição Digital.

Aquele partido vai alertar para “a desigualdade social criada pela falta de acesso à Internet, a poucos quilómetros do Porto”.

APM // MSP

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