Instituições têm que se preparar para o pós-pandemia, alerta Luís Coelho da ADESCO

O presidente da Associação para o Desenvolvimento Comunitário – ADESCO advertiu, em entrevista ao Expresso de Amarante, que as instituições de solidariedade social se devem preparar para dar resposta a outras problemáticas, nomeadamente de saúde mental, que poderão surgir no período pós-pandemia.

 

Luís Coelho explicou que questões de saúde mental no seio das famílias mais carenciadas vão ser uma realidade com que as instituições de apoio social terão que lidar, num futuro próximo.

“O desconfinamento poderá ser um alívio para estas famílias, no entanto vai ser um processo gradual. Só daqui a alguns meses se poderão medir as reais consequências da pandemia. Acredito que, a nível psicológico, muitas vão necessitar de um apoio extra”, explana.

Há cerca de um ano, a IPSS com valências em Amarante, Vila Real e Marco de Canaveses lançou uma campanha de recolha de bens alimentares, indicando, na altura, que o número de pedidos de apoio na área da alimentação “disparou” nas primeiras duas semanas do que iria ser o primeiro confinamento.

 

 

Esta tendência do aumento da procura de apoio por parte de famílias em situação de carência manteve-se constante ao longo dos últimos doze meses, acrescenta.

“Felizmente foi possível dar resposta, quer através das campanhas levadas a cabo pela nossa instituição, quer através de outros contributos”, adianta, sublinhando, a título de exemplo, a iniciativa solidária organizada por empresários sediados na incubadora do Instituto Empresarial do Tâmega, no Natal, e o apoio de uma empresa produtora de leite, mais recentemente.

 

“Isolamento social foi um problema para os mais idosos”

Luís Coelho recordou, ainda, que os períodos de confinamento foram “complicados” para os utentes do ATL e jardim de infância, durante os períodos de suspensão das suas atividades.

Por outro lado, nas valências que lidam com os utentes mais idosos o maior problema foi o isolamento social.

“ Sobressaiu a falta de contacto com os seus familiares mais diretos, sobretudo. Por vezes, as únicas pessoas que os visitavam eram as colaboradoras da instituição”, frisa.

 

 

Questionado sobre novas práticas e ferramentas de gestão entretanto adotadas, nomeadamente o uso de plataformas digitais nas suas atividades, diz que “vieram para ficar” em algumas situações, como reuniões virtuais, mas sem “nunca colocar em causa” a necessidade de encontros presenciais.

“Tudo aquilo que sirva para melhorar o desempenho e a organização deve ser aproveitado, desde que com conta, peso e medida”, frisa.

 

“Temo que, com o regresso à normalidade, a sociedade só se mobilize pontualmente”

Em resposta a uma pergunta sobre que lições a retirar destes 12 meses de pandemia, Luís Coelho afirmou que, “para quem tenha dúvidas”, ficou provado que o ser humano “é mesmo igual”, sem distinções de raças, cores, estatuto social, “pois todos foram afetados”. E acrescenta:

“Outra lição que gostava que ficasse, embora não tenha muita esperança, é a de uma transformação no sentido de uma sociedade mais solidária e equitativa. Estes valores, infelizmente, são muitas vezes completamente esquecidos. Neste último ano, multiplicaram-se, e ainda bem, as ações de solidariedade, mas temo que com a situação a voltar à normalidade, mais uma vez só em situações pontuais a sociedade se mobilize”.

 

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