O autor amarantino Jorge Pinto esteve em Amarante, no sábado, para apresentar o seu novo livro “Também Digo – Uma História de Migrações”, um trabalho que faz homenagem à sua avó e às mulheres que ficaram para trás durante a vaga de emigração para França, nos anos 60 do século XX.
O novo tomo, profusamente ilustrado pela artista lusodescendente Júlia da Costa e editado pela Officna Noctua, é uma obra biográfica que conta a história de Maria do Carmo, avó do autor, natural da freguesia de Olo, que em início dos anos 60 do século XX foi uma de milhares de mulheres portuguesas que asseguraram a retaguarda familiar em Portugal, enquanto os homens emigravam.
A apresentação realizou-se na tarde de sábado, na Biblioteca Municipal de Amarante.
“Como muitas outras famílias, a minha também está marcada por esta história da migração”, explicou Jorge Pinto, na sua apresentação.
O autor explicou que, com esta nova obra, pretendeu, sobretudo, homenagear a avó, mas também as mulheres migrantes, recordando que a maioria das histórias de emigração falem sempre dos homens, normalmente os primeiros a sair para o estrangeiro.

“Sem desvalorizar o papel dos homens, corajosos por irem primeiro, evidentemente, quis que este livro fosse uma homenagem a todas as mulheres que ficaram para trás, porque são menos faladas, menos valorizadas quando falamos de histórias de migrações”, acrescentou.
Sobre o projeto iniciado em 2016, o autor explicou que, inicialmente, pretendia dar corpo ao trabalho sob a forma de ilustração, nomeadamente como banda desenhada e como peça de teatro.
Contudo, foi ao ler uma série de livros ilustrados da autora libanesa Lamia Ziadé que Jorge Pinto encontrou o formato em como contar a história da Avó Carmo.
“Não só fala da sua vida, mas também da história do seu país, durante a guerra civil. Adorei aquele formato, porque, por um lado me dava a conhecer os detalhes da sua vida e, por lado, a história política do Líbano”, explicou.

O novo trabalho de Jorge Pinto, que vive fora de Portugal desde 2008, é também a primeira edição de um livro realizada pela Officina Noctua, de Amarante.
Na apresentação, Nuno Ribeiro, responsável pelo projeto que trabalha nas áreas da ilustração, serigrafia e design, explicou que decidiu explorar a publicação de livros porque é “algo desafiante, estimulante mesmo”.
“A nossa ideia é editar livros ilustrados, pois sempre quisemos fazer livros que fossem objetos diferentes , não só literatura mas relacionados com outras formas de arte”, explicou. E acrescentou:
“Espero que este seja o primeiro de muitos livros. Obviamente este só será um projeto viável se as pessoas se interessarem e se valorizarem este tipo de objeto e trabalho”.
