Um grupo de 26 alunos do 10º e 11º anos do curso de Animação Sociocultural do Colégio de São Gonçalo laborou ao longo de seis meses numa produção cinematográfica de animação para dar vida a duas lendas tradicionais da antiga freguesia de Canadelo.
O resultado, a animação com marionetas tridimensionais “Lendas de Amarante” foi apresentada na sexta-feira, no auditório do estabelecimento de ensino, com um documentário “making of” descritivo do processo de produção.
O projeto, realizado numa parceria com a ANILUPA, uma valência da Associação de Ludotecas do Porto que disponibiliza a públicos não profissionais, equipamentos e apoio na realização de filmes de animação, é o segundo do género a ser realizado naquele estabelecimento de ensino.
Em 2019, alunos do mesmo curso produziram a curta-metragem “Pensar Amadeo”, inspirada na efeméride dos 100 anos da morte de Amadeo de Souza-Cardoso.
Na apresentação de sexta-feira, Fernando Oliveira, um de dois docentes do colégio que acompanharam a produção de “Lendas de Amarante”, recordou aquele projeto, acrescentando que lançou aos seus alunos do ano letivo 2021/2022 um novo desafio:
“Vamos fazer uma coisa grande”, afirmou, sobre o novo filme.
O guião assenta em duas estórias inseridas no livro “Lendas de S. Gonçalo e de Amarante”, de António Patrício, nomeadamente a “Lenda de São Pedro de Canadelo” e a da “Burra de Canadelo”.

Durante a apresentação de ambos o filme o o “making of”, o representante da ANILUPA, Fernando Saraiva, recordou à plateia que o trabalho a ser ali mostrado implicou mais que fazer um filme.
“Viemos aqui não só pelo filme, mas também pelo trabalho em equipa, o ser solidário, aceitar desafios e ser resiliente. É uma luta constante, o cinema de animação toca em muitas áreas, é muito envolvente”, recordou à plateia.
A produção assenta em marionetas tridimensionais animadas, de desenho inspirado nos “gigantones”, figuras populares que acompanham as atuações de grupos de bombos do concelho.
O projeto incluiu visitas à aldeia de Canadelo, onde os estudantes interagiram com a população e fizeram o levantamento de várias das estruturas a incluir no filme.

“É importante ir lá, ver o sítio, e ouvir as pessoas. Mas, mais importante, é dar [aos alunos] a liberdade de interpretação. O filme é o entendimento de quem leu [a lenda] e a quis passar para a tela. Estou satisfeito, os alunos fizeram um trabalho excecional”, disse ao Expresso de Amarante o autor António Patrício, à parte da apresentação.
A próxima mostra de “Lendas de Amarante” vai ser realizada em Canadelo., após as festas em honra ao padroeiro, São Pedro.
O filme entrará, subsequentemente, no circuito (inter)nacional de cinema de animação.