Ligação Felgueiras-Porto de comboio pode gerar quatro milhões de resultados positivos – estudo

Um estudo da Comunidade Intermunicipal (CIM) do Tâmega e Sousa concluiu que uma ligação ferroviária entre o Porto e Felgueiras, reclamada pelo território, gerará resultados positivos de quatro milhões de euros por ano.

 

Segundo o estudo, ao qual a Lusa teve acesso, estima-se que a infraestrutura seria integrada no serviço suburbano do Porto da CP, que ganharia cerca de sete milhões de passageiros por ano, apontando-se a duas ligações por cada hora de ponta a partir de Felgueiras e uma a partir do Porto.

A construção de uma nova via-férrea entre a Linha do Douro, em Valongo, e Felgueiras 38 quilómetros), passando por território de Paredes, Paços de Ferreira e Lousada, designada como “Linha do Vale do Sousa”, representaria um custo de 181 milhões de euros.
A aquisição de material circulante poderia obrigar a um custo de 27 milhões de euros.

 

 

A receita estimada anual será de cerca que 9 milhões de euros e os custos (exploração e manutenção) de cinco milhões de euros. Outros ganhos indiretos ao nível do ruído, poluição e duração das ligações, entre outros, representam cerca de seis milhões de euros por ano.

O estudo tem em conta a demografia (centenas de milhares de habitantes), a economia (forte industrialização) e outras dinâmicas do território, contextualizando a ligação de proximidade à Área Metropolitana do Porto.

A linha teria estações em Gandra (Paredes), Lordelo (Paredes), Paços de Ferreira, Freamunde (Paços de Ferreira). Lousada e Felgueiras.

No documento, intitulado “Estudo para a Estratégia Ferroviária da CIM do Tâmega e Sousa”, lê-se que “este serviço contribui para o reforço da competitividade regional, facilitando as trocas de pessoas e mercadorias com o Vale do Sousa, território que apresenta uma vitalidade económica elevada no contexto nacional”.

 

FELGUEIRAS AO PORTO DE COMBOIO EM 51 MINUTOS

A ligação entre Felgueiras e o Porto, com a nova linha, far-se-ia em 51 minutos. Lousada ficaria a 43 minutos da capital de distrito e Paços de Ferreira a 35 minutos da “invicta”.

O estudo considera “essencial a materialização de um novo eixo ferroviário ao longo do Vale do Sousa, até Felgueiras, respondendo às dinâmicas internas e à relação com os territórios envolventes”.

 

LIGAÇÃO DE AMARANTE AO PORTO

O trabalho aborda também a reativação da antiga Linha do Tâmega, entre a Linha do Douro, na localidade de Livração (Marco de Canaveses) e a cidade de Amarante. Os autores recordam o estudo da Infraestruturas de Portugal , de 2016, que aponta para a remodelação do traçado original (desativado em 2009), permitindo reduzir de 13,2 para 10 quilómetros a extensão do troço. As viagens de Amarante ao Porto, num eventual serviço suburbano da CP, demorariam cerca de uma hora. A reativação daquele troço aponta para um investimento de 37,5 milhões de euros, incluindo novas estações em Vila Caiz e Amarante.

“Em relação à linha do Tâmega, considera-se a sua reativação, promovendo um maior equilíbrio territorial da rede de suburbanos do Porto”, conclui-se no estudo, destacando-se também que “a estratégia desenvolvida [de aumento do serviço ferroviário no território] procura reforçar o carácter policêntrico da região, introduzindo serviço numa área com densidade urbana e de atividades relevantes – o Vale do Sousa e Amarante”.

Numa nota enviada à Lusa sobre este estudo, a CIM refere que “a ferrovia será, a médio e longo prazo, a resposta para a transformação e descarbonização da mobilidade”, assinalando-se que o reforço daquele meio de transporte no território foi defendido pelo agrupamento de municípios, “no âmbito da discussão do PNI 2030, junto da Comissão de Obras Públicas.”

A CIM defende, por outro lado, que “o projeto terá elegibilidade e dotação no próximo quadro comunitário”.