O escritor Mário Cláudio recordou, no sábado, em Vila Meã, a escritora Agustina Bessa Luís como uma pessoa por quem teve “uma grande paixão”, tanto no plano literário como pessoal.
O autor natural do Porto esteve naquela localidade no âmbito do projeto “Ciclo de Encontros com Autores” promovido pela Freguesia de Vila Meã para apresentar o livro “Embora Eu Seja Um Velho Errante”.
Em resposta a uma pergunta sobre a sua amizade com a autora natural de Amarante, Mário Cláudio explicou que foi apresentado por um amigo comum, pouco depois do seu regresso do serviço militar, na Guiné.
“Foi um choque, quando a vi, pela primeira vez. Não era como nas fotografias que tinha visto, em que era mais jovem. Apareceu-me uma figura que, na altura, liguei imediatamente à Vénus de Willendorf”, recordou.

O autor acrescentou que a partir do primeiro encontro, começou a ser convidado, regularmente, para a casa no Porto onde vivia Agustina Bessa Luís.
Mário Cláudio afirmou, ainda, que a autora o considerava “patologicamente tímido”, frisando que, na altura, acabava de regressar da guerra colonial e que sofria de stress pós traumático.
“A partir daí fomos sempre grandes amigos. No plano literário, tive sempre uma grande paixão e a amizade que tive por ela foi sempre apaixonada”, explicou. E acrescentou:
“Não tem nada a ver com relações amorosas, eu tinha uma verdadeira paixão pela Agustina. Era tanto, que não consegui ir ao funeral dela”.

Agustina Bessa-Luís, natural de Vila Meã, onde nasceu a 15 de outubro de 1922, é referenciada como um dos mais brilhantes romancistas portugueses do séc. XX. Faleceu em 2019, no Porto, aos 97 anos de idade, vítima de doença prolongada.