Meia Maratona: “Associações deviam ter capacidade de atrair mais apoios”, afirma José Luís Gaspar

O presidente da Câmara de Amarante, José Luís Gaspar, em declarações na terça-feira sobre o cancelamento da Meia Maratona Cidade de Amarante, defendeu que as associações do concelho deveriam ter maior capacidade de atrair investimentos e novos parceiros para a realização de eventos.

 

As declarações foram feitas no período anterior à ordem do dia da reunião de executivo, em resposta à vereadora na oposição Otávia Clemente (PS), que questionou o edil sobre o cancelamento do evento deste ano pela organização da Associação Desportiva de Amarante (ADA).

Recorde-se que a ADA anunciou, no início da semana, em comunicado publicado nas redes sociais, a decisão de cancelar a prova, citando “falta de apoios” e que iria concentrar-se na organização da próxima edição daquele evento, a realizar em 2021.

Na sua resposta, o presidente da Câmara de Amarante começou por explicar que teria sido surpreendido pela decisão e que só soube na manhã da reunião.

Prosseguiu, explicando que a autarquia decidiu manter, para 2020, o mesmo plafond do ano anterior na área dos apoios protocolados com as associações do concelho.

Quanto aos subsídios fora do protocolado, como é o caso da Meia Maratona, o edil esclareceu que a autarquia pretende ver mais entidades a apoiar este tipo de eventos.

Neste caso, explicou que comunicou à ADA, através do vereador com a pasta do desporto, António Ribeiro, que o apoio para este ano seria de 18 mil euros, menos 10% que os 20 mil concedidos à anterior prova, em 2019.

“O que nós defendemos aqui é que deveria haver um esforço para tentar encontrar apoios extra e foi o que fizemos: diminuir a nossa participação em 10% para ver se haveria aqui a capacidade (por parte da organização) em estimular outros apoios”.

Em declarações ao EXPRESSO DE AMARANTE (EA), no final da reunião, José Luís Gaspar defendeu a sua posição, reafirmando que este tipo de eventos deveria ser capaz de atrair o suporte de mais gente e entidades, como é o caso em vários concelhos vizinhos e até mesmo em Amarante.

“Temos casos, aqui no concelho, de eventos que atraem mais apoios e onde a participação da Câmara de Amarante é residual. Eu acredito que o segredo deste tipo de organizações é ver quantas mais pessoas podem envolver”, explicou.

Adiantou que “tem pena” que prova não se realize, que lhe parece que “uma diferença de dois mil euros não seja suficiente para a realizar “mas sublinhou que “não é um drama”.

“A ADA é a entidade certa para a sua organização, a prova merece ter continuidade e até admito que a Câmara poderia apoiar mais, mas há que repensar a sua gestão”, concluiu.

 

OTÁVIA CLEMENTE (PS): “Também me parece que a diferença de dois mil euros não seja argumento para impedir a realização da prova”

 

Por seu lado, Otávia Clemente (PS) afirmou ao EA que uma das suas preocupações seria o ‘timing’ da decisão da CMA, mas que, pelo que foi explicado, a ADA teria sido avisada atempadamente.

“A questão era se (a organização) teria sido apanhada desprevenida, mas pelo que constou aqui, aparentemente não foi o caso.” E acrescentou:“Também me parece que a diferença de dois mil euros não seja argumento para impedir a realização da prova, mas isso terá que ser esclarecido pela própria ADA”.

 

“Prova de 2019 deu prejuízo apesar de ter captado apoios por outros canais. O mesmo resultado para 2020 seria inaceitável” – ADA

 

Em resposta a um pedido de esclarecimento do EXPRESSO DE AMARANTE, a direção da ADA, respondeu, por escrito, começando por explanar que iniciou, no segundo semestre de 2019, “como tem sido habitual”, os contactos necessários junto do Município e outros parceiros, tendo em vista a realização de mais uma edição da prova.

Refere que, em meados de novembro, após o desenvolvimento do plano de investimento e da previsão de receitas, endereçou à autarquia um pedido formal de apoio, com a apresentação de um orçamento, mantendo reuniões e contactos com a edilidade.

Segundo a ADA, no início de janeiro foi-lhes comunicado que o montante de apoio disponibilizado pela vereação (do Desporto) era de 18 mil euros, “um valor relativamente inferior ao expectável e necessário para uma saudável realização deste evento”, adianta.

“O Município de Amarante sempre foi um parceiro privilegiado para a efetiva realização da prova. Todos os apoios destinados à mesma foram sempre aprovados em Assembleia Municipal por todos os partidos presentes. Os seus valores são públicos e constam nas atas lavradas”, acrescenta.

Prossegue, afirmando que na primeira edição da prova a ADA conseguiu garantir mais de metade da orçamentação, “o que está em linha de conta com o que é praticado noutros Municípios”.

Face à redução de apoio de “vários milhares de euros” em 2019, explica que conseguiu captar, na altura, apoios significativos “embora insuficientes” através de outros canais para garantir a realização prova.

“Mesmo através deste grande esforço que efetuamos anualmente, junto de outras instituições públicas e de privados, tendo em conta também a realidade amarantina, torna-se difícil um aumento relevante de apoios comparativamente com o já alcançado. Por consequência fechamos as contas do evento com prejuízo significativo”, sublinha.

A ADA salienta que é uma instituição com mais de 400 atletas, distribuídos por diversas modalidades, maioritariamente em idade de formação, “cuja estabilidade e prossecução das suas atividades diárias não pode ser colocada em causa por um evento”.

Atendendo ao prejuízo alcançado em 2019, que se refletiu nas contas gerais da associação, “um resultado novamente negativo em 2020 (previsível com este montante) seria inaceitável”, reforçou a organização.

 

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