O guarda-principal da GNR de Amarante, Filipe Cerqueira, integra a lista de 12 convocados da seleção nacional de andebol em cadeira de rodas, tendo em vista o confronto com a congénere da Espanha, a contar para o 1.º Troféu Internacional Vida, agendado para o próximo domingo, às 14:00, em Viseu.
O embate com a equipa do país vizinho servirá ainda de preparação para o Campeonato Europeu/Mundial, que se realizará em Leiria, em novembro.
Filipe Cerqueira, que já esteve ao serviço da equipa das quinas na recente conquista do Tournoi de Lyon, em França, no passado mês de julho, confessa que representar Portugal “é o culminar da ambição de qualquer atleta”.
“Todos os atletas lutam para poder conquistar o seu lugar na seleção, sendo para estar meramente num jogo amigável ou para participar em torneios ou campeonatos europeus. É sempre gratificante representar as cores da seleção nacional”, confidenciou.
Sobre o adversário do próximo domingo, Filipe Cerqueira considera que a Espanha “é um adversário que tem vindo a crescer bastante” nos últimos anos.
“A Espanha está no panorama do andebol em cadeira de rodas há relativamente pouco tempo, mas já tem toda uma estrutura montada muito forte. Já tem atletas de grande nível e a alavancar a modalidade de uma forma muito forte. Mas creio que a seleção nacional está bem preparada para o jogo de Viseu”, assegurou.
Não obstante ter arrecadado diversos títulos na modalidade de remo adaptado, Filipe Cerqueira decidiu enveredar de uma forma mais séria, de há dois anos a esta parte, pelo andebol de cadeira de rodas. O atleta de Amarante justifica a opção devido “à falta de investimento por parte da federação de remo”.

“Já pratico andebol em cadeira de rodas quase desde a sua criação em Portugal. No entanto, não tinha grande empenho nesta modalidade, porque o remo é uma das minhas paixões e foi sempre o que me ocupou mais tempo na minha preparação para o desporto adaptado. Só que, há cerca de dois anos, decidi optar mais pelo andebol porque não existia, no meu ponto de vista, um investimento por parte da federação”, esclarece.
“Já no andebol, existe este panorama nacional e internacional, existe a criação de infraestruturas, está a ser dado apoio para a implementação do andebol em cadeira de rodas e talvez até venha a ser modalidade paralímpica em 2028”, acrescentou.
Se tal vier a acontecer, Filipe Cerqueira confessa que gostaria participar nuns Jogos Paralímpicos, embora admita que em 2028 poderá “não estar em forma física” para representar a seleção nacional de andebol em cadeira de rodas. “No entanto, é minha intenção contribuir com tudo aquilo que tenho para que a seleção esteja sempre no mais alto patamar” sublinha.

Filipe Cerqueira começou a praticar o desporto adaptado de forma lúdica, em 2012, após um acidente que o deixou paraplégico.
Desde que se federou em remo, em 2014, o atleta de Amarante alcançou quatro campeonatos nacionais. Sagrou-se tri-campeão nacional em remo de velocidade e campeão nacional em remo indoor, para além de diversas vitórias em ‘open’s’ de Portugal, numa altura em que ainda não era sequer atleta federado.