“Pandemia realçou importância do voluntariado”, afima presidente dos Bombeiros de Vila Meã

O presidente da Associação Humanitária dos Bombeiros Vila Meã afirmou hoje que a pandemia de covid-19 veio realçar a importância do voluntariado num ano em que as corporações enfrentaram novos desafios e dificuldades financeiras.

 

Ricardo Vieira, em declarações ao Expresso de Amarante, frisou a “entrega” com que os bombeiros voluntários responderam à situação que se começou a viver a partir de março, quando se registavam os primeiros casos de infeção, na região.

“Mais uma vez, foram inexcedíveis na sua entrega ao voluntariado”, acrescentou.

A corporação presta serviço aos cerca de 15 mil habitantes da zona ocidental de Amarante, nomeadamente na União de Freguesias de Vila Meã, Travanca, Mancelos e Figueiró (Santiago e Santa Cristina).

 

 

O dirigente recordou, a título de exemplo, o período entre março e abril em que a corporação de Vila Meã implementou um sistema de três equipas rotativas para assegurar os serviços de emergência.

“Tivemos sempre no quartel uma equipa permanente de oito operacionais que abdicaram de estar com as suas famílias para garantir o serviço à população, 24 horas por dia”, recordou.

 

 Impacto brutal nas contas

Ricardo Vieira destacou, ainda, o impacto “brutal” nas contas da corporação, que se viu a braços com “quebras na receita e aumento das despesas”.

Para além das perdas causadas pelo cancelamento de serviços e de outras atividades, a corporação teve que aumentar o investimento em material de proteção individual, “cada vez mais caro”.

“Numas contas que fizemos em meados de abril, estimamos que em mês e meio chegamos a um saldo negativo de cerca de 16 mil euros”, adiantou, recordando que, na altura, o município atribuiu um subsídio extra de 10 mil euros a cada corporação do concelho.

“Claro que foi uma ajuda importante, mas que ficou longe de colmatar estas perdas”, acrescentou, recordando, ainda, a ajuda de muitos cidadãos e empresas que doaram material de proteção.

O dirigente revelou que continua a ter que adquirir equipamentos de proteção individual, anotando que o que lhe é entregue “não dura uma semana” de trabalho.

Por outro lado, recorda que a corporação tem, atualmente, 25 operacionais dispensados por questões da pandemia, o que coloca alguma pressão na elaboração das escalas.

Frisa, contudo, que a associação humanitária tem hoje todas as contas em dia, nomeadamente salários e despesas com fornecedores, apesar de ainda não ter recebido as comparticipações da época de incêndios.

 

Nem tudo correu mal

Ricardo Vieira reconhece, contudo, que houve momentos positivos na vida da corporação, durante o ano de 2020.

Em agosto, o corpo ativo aumentou para 100 elementos, com o ingresso de 14 novos recrutas, apesar dos atrasos na sua formação causados pela pandemia.

Por outro lado, graças a um investimento do Município de Amarante, receberam, durante o verão, várias estruturas de apoio às equipas de combate aos incêndios florestais, que serão agora aproveitados para outras atividades, nomeadamente na formação.

 

Novos recrutas dos Bombeiros de Vila Meã

 

O ano acaba numa nota positiva, recordou ainda o dirigente, indicando que no último dia de 2020 foi entregue a candidatura de financiamento ao programa PARES 3.0 da futura Estrutura Residencial Para Idosos (ERPI) dos bombeiros de Vila Meã.

O projeto visa a construção, num terreno propriedade da corporação, de um estabelecimento residencial para 40 utentes e que será responsável pela criação de 16 postos de trabalho.

“É um projeto relevante para Vila Meã, que faz falta. A possibilidade de o financiar através deste programa é importante, por questões de celeridade, mas caso isso não aconteça, teremos que procurar alternativas. O que importa é que o projeto está feito, temos o terreno e que, de uma forma ou outra, iremos avançar com a sua concretização”, concluiu.

 

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