O pintor Jorge Marinho, que esteve em Amarante, no sábado, para apresentar o seu primeiro livro de banda desenhada baseado em contos de Miguel Torga, anunciou que já se encontra a trabalhar na adaptação de mais duas curtas do escritor transmontano àquele formato.
Na apresentação realizada na Casa da Granja, o pintor formado em Artes pela Universidade do Porto adiantou que já se encontra a trabalhar na adaptação à banda desenhada dos contos “A Vindima” e “O Vinho”.
Atualmente, o livro de ilustrações dos contos “Natal” e “Um Roubo”, apresentado no sábado, mereceu ao artista natural de Moçambique, residente em Vila Real desde o final dos anos 70, três nomeações aos Prémios Bandas Desenhadas 2022.
A obra, uma edição de autor, foi nomeada pelo júri do prémio para as categorias de Melhor Publicação Nacional com Distribuição Alternativa, Melhor Argumento Nacional e Melhor Ilustração Nacional.
Sobre as nomeações, cujos vencedores serão conhecidos no final do ano, Jorge Marinho adiantou que foi um momento “muito bom” para o seu primeiro trabalho de banda desenhada, salientando o fato do trabalho ser uma edição de autor.

Durante a sua intervenção, Jorge Marinho justificou a escolha de Miguel Torga retrocedendo ao seu regresso a Portugal, no final dos anos 70, e em particular a Trás os Montes, um “choque” para um jovem habituado à vida na metrópole de Lourenço Marques.
“Ir viver para uma casa de pedra, em Vila Real, foi um choque bastante grande para quem estava habituado a ter carro, ir à praia, ver cinema. Encontrei, na obra de Miguel Torga, precisamente aquelas mesmas vivências que vivi”, acrescentando que descobriu, só há poucos anos, que o autor ainda não fora adaptado à banda desenhada.
Jorge Marinho levantou, também, um pouco do véu do seu processo criativo, revelando que recorre a personagens reais, para o primeiro momento dos seus trabalhos.
“Gosto muito de trabalhar com a pessoa, com o ser humano, porque se aprende e temos experiências que nos surpreendem. Digo que tenho muitos amigos, e é verdade”, acrescentou.

O autor contou aos presentes a estória por detrás de várias das personagens nos contos, que vestiu e fotografou na encenação de todo percurso do livro, incluindo os locais descritos nos contos.
“Fomos à igreja, aos montes onde se passou a história. É por isso que me sinto privilegiado, porque tenho praticamente estas coisas à porta”, acrescentou.
Em outubro, Jorge Marinho regressa à Casa da Granja com uma exposição de pintura.