A Coordenadora do Bloco de Esquerda (BE), Catarina Martins, disse hoje, em Amarante, que tem de ser o primeiro-ministro a dizer como é que foi acionado o SIS, no caso do alegado roubo do computador do Governo.
“Uma vez que foi acionado um serviço que só o primeiro-ministro podia acionar, o SIS, tem de ser o primeiro-ministro a dizer ao Parlamento como é que isto aconteceu, porque precisamos de saber se foi acionado indevidamente ou se agiu sem ninguém lhe ter pedido, o que também é indevido”, afirmou a dirigente do BE.
Segundo Catarina Martins, “a versão que o primeiro-ministro deu ao país tem muitas contradições”.
“Agora, não sei se o primeiro ministro tinha acesso aos factos todos ou não”, ressalvou, referindo que a resposta de António Costa, por escrito, à Comissão de Inquérito da TPA poderá esclarecer as dúvidas.
A dirigente prosseguiu: “De duas uma: ou o SIS teve instruções para agir e as únicas instruções podiam vir do primeiro-ministro, que não o devia ter feito, ou agiu sem essas instruções e é gravíssimo que o tenha feito, porque não o podia fazer”.
“Em qualquer caso”, anotou, “há aqui uma intervenção abusiva do SIS que não pode ficar impune que não pode ficar sem ser explicada”.

Falando aos jornalistas, em Amarante, onde hoje visitou a feira semanal daquela cidade do distrito do Porto, acompanhada de dirigentes locais, referiu que nos contactos com a população as pessoas “falam com imenso desalento do que veem do Governo e esta descredibilização”.
“Acho que não houve ninguém com quem eu não conversasse que não me dissesse: acha bem isto, parece que estão a gozar connosco”, contou aos jornalistas que acompanhavam a visita ao mercado.
Para Catarina Martins, “esta forma como o Governo tem lidado com as suas responsabilidades na gestão dos mais variados dossiers, desde logo da gestão da TAP, descredibiliza a democracia e torna um Governo paralisado”.
“As pessoas o que veem é o Governo enredado em mentiras, em situações que degradam a imagem das instituições e isto é muito grave”, reforço, reafirmando a posição do BE, segundo a qual “o ministro das Infraestruturas, João Galamba, não tem condições [de continuar]”.
“Neste momento, o ministro da Infraestruturas é António Costa. Ninguém acredita que um ministro fragilizado, como está João Galamba, esteja a tratar de dossiers tão complicados como a privatização da TAP. É seguramente o primeiro-ministro que está a tratar”, destacou.
Segundo a coordenadora do BE, “o que estamos a descobrir [na Comissão Parlamentar de Inquérito da TAP] é uma utilização abusiva de instituições do Estado e, ao que tudo indica, também dos serviços de informação e segurança e isso é de uma gravidade extrema”.
Armindo Mendes, da Agência Lusa