O vice-presidente da Associação Desportiva de Amarante (ADA) afirma que a recuperação da quebra de rotina provocada pela pandemia de covid-19 nas atividades desportivas vai ser “difícil e prolongada”.
O dirigente salienta que o regresso ao nível de qualidade e competitividade pré-pandemia irá durar “vários anos”.
Em entrevista ao Expresso de Amarante, Luís Mendes explicou que a paragem de treinos e competições, nos últimos 12 meses, teve um impacto “físico e psicológico” nos atletas que poderá resultar em desistências ou falta de motivação para regressar.
Segundo o dirigente, a suspensão imposta no âmbito das medidas de prevenção afeta cerca de 250 jovens atletas da associação, que pararam de praticar e competir em várias modalidades, em 2020.

“Os mais novos perderam as bases que já tinham ganho e para voltar ao mesmo patamar vai demorar. Os adolescentes dificilmente regressarão, pois estão na idade de entrar na faculdade e, ao ausentar-se do concelho, deixam de poder treinar durante a semana”, explica.
Apesar de tudo, anota, os treinadores da ADA mantiveram sempre contacto com os seus atletas, tentando motivar, enviando planos de treino e novos desafios. Por outro lado, promoveram-se atividades virtuais para manter contato com atletas e população.
Retoma ao nível de pré-pandemia poderá durar anos
Sobre um eventual regresso das atividades desportivas, Luís Mendes recorda que a retoma será gradual, primeiro com treinos e, depois, as competições.
“Acreditamos que vários atletas ainda tenham receio de voltar aos treinos e que haverá desistências”, acrescenta, sublinhando que as primeiras semanas serão, essencialmente, para “perceber” com quem podem contar.

O dirigente associativo acredita que, nos próximos tempos, a área do desporto vai passar por mudanças e que o regresso ao nível de qualidade e competição pré-pandemia irá durar “vários anos”.
Os atletas terão “outra mentalidade”, frisa, com o nível desportivo a regredir um pouco.
“E vamos perder muitos dirigentes devido a novas rotinas, novas tarefas e novos hábitos. Deixarão participar e ajudar como anteriormente”, acrescenta.
Apoio dos sócios é importante para manter o projeto vivo
Luís Mendes explica que devido à perda de patrocínios e receitas, a maioria das associações desportivas estão a passar por dificuldades económicas, anotando que muitos dos custos “se mantiveram”.
Praticamente todos os eventos desportivos por si organizados foram cancelados, recorda, “provocando perdas não só à ADA como ao concelho”.
“Neste momento é muito importante o apoio dos sócios, particularmente através do pagamento das suas obrigações”, anota, frisando que a associação tem um pouco mais de mil associados inscritos, “mas apenas um terço das quotas em dia”. E acrescenta:
“No sentido de motivar e consciencializar para o problema, fizemos algumas parcerias com várias lojas, oferecendo descontos aos sócios e também informatizamos a lista dos inscritos, para facilitar os contatos”.
