Proposta aprovada com quatro votos a favor do PSD/CDS e três contra dos vereadores do Partido Socialista (PS), que rejeitaram o projeto, ao considerarem uma “perda irreversível” para a identidade e património da cidade.
A Câmara de Amarante aprovou, em recente reunião, o lançamento do concurso público para a empreitada de “Requalificação da Alameda Teixeira de Pascoaes”, um projeto orçado em 3,8 milhões de euros.
Segundo a maioria, a empreitada visa a “melhoria da centralidade e a promoção da fruição pedonal da Alameda”, o que é contestado pelo oposição
Na declaração de voto apresentada pelos vereadores socialistas, à qual tivemos acesso, o PS sublinhou que a sua oposição não se dirige à requalificação em si, mas ao modelo de intervenção proposto, classificando-o como “desequilibrado”.
Solução agravará o efeito de “ilha de calor” – critica o PS
O PS contesta a forte componente de impermeabilização em pedra do projeto, argumentando que a solução agravará o efeito de “ilha de calor” urbana, contrariando as práticas modernas de criação de espaços mais verdes e frescos.
“Quando muitas cidades procuram aumentar as zonas verdes para combater as alterações climáticas e reduzir as temperaturas urbanas, Amarante segue o caminho contrário. O projeto prevê uma Alameda dominada por extensas superfícies em pedra”, advertem.
“Projeto destrói as meias laranjas e o seu muro…. Depois de destruídas dificilmente poderão ser recuperadas”, exclamam os socialistas
Para a oposição, este projeto destrói uma das imagens mais emblemáticas de Amarante.
As “meias laranjas” e o seu muro “não são apenas um elemento arquitetónico. Fazem parte da memória coletiva de várias gerações de amarantinos. São um símbolo da cidade e da sua identidade. Depois de destruídas dificilmente poderão ser recuperadas”, advertem.
Deslocar a estátua de Teixeira de Pascoaes para um canto “sem a dignidade e visibilidade”
E prosseguem, apontando outro ponto que consideram negativo neste projeto: “Também não compreendemos a decisão de retirar a centralidade à estátua de Teixeira de Pascoaes. A Alameda tem o seu nome precisamente porque este é o espaço onde a sua figura se afirma. Deslocar a estátua para um canto, sem a dignidade e visibilidade que hoje possui, é desvalorizar um dos maiores vultos da cultura portuguesa”.
A oposição aponta, ainda, a falta de respostas eficazes para o estacionamento e para a circulação na Rua 31 de Janeiro, questionando a prioridade dada a esta obra em detrimento de infraestruturas que consideram mais urgentes.
“Modernizar não pode significar apagar a história”
Os vereadores destacaram a petição em curso com cerca de 7000 assinaturas contra o projeto, como prova de que a autarquia não atendeu às preocupações dos cidadãos, defendendo que “modernizar não pode significar apagar a história”.
O PS concluiu que o projeto é um “erro que nunca deveria ter sido equacionado”, apelando a uma revisão que preserve os elementos identitários e responda às reais necessidades de mobilidade dos residentes.
A nossa redação solicitou à autarquia uma posição sobre a matéria, que será publicada logo que a tenhamos.
A matéria terá ainda de ser submetida à apreciação da Assembleia Municipal.