Restaurantes de Amarante com perdas de receita defendem apoios mais eficazes

Os empresários da restauração de Amarante defendem a implementação de medidas de apoio mais eficazes depois de um primeiro fim de semana de recolher obrigatório em que, para muitos, se agravaram as perdas na receita.

 

Takeaway e entregas ao domicílio são um complemento, mas não a “tábua de salvação”, afirmam.

Lúcia Monteiro, proprietária dos restaurantes Zé da Calçada e Pobre Tolo, no centro histórico da cidade, defende que o Estado deveria implementar medidas de apoio “mais eficazes”.

 

Lúcia Monteiro – foto Paulo Alexandre Teixeira

 

Na semana passada, o Governo implementou uma medida em que devolve 20% da perda da faturação estimada nos dois sábados e domingos abrangidos pelo estado de emergência, comparando a média de faturação registada em todos os fins de semana, desde o início do ano.

“Pelo menos pagará um mês de salários, que é uma despesa considerável porque somos uma equipa grande, mas há outros gastos também importantes. São precisas medidas de apoio mais eficazes que tenham em conta, por exemplo, a quebra entre as receitas do ano passado e as deste”, recorda.

No fim de semana, em que vigorou o recolher obrigatório a partir das 13:00, optou por abrir um dos restaurantes e encerrar o outro, ambos no centro histórico da cidade.

“No próximo fim de semana, faremos o mesmo, em reverso. Não vale a pena ter dois restaurantes abertos, não há clientela”, acrescenta.

 

“Takeaway não vai ser a tábua de salvação”

A empresária adianta que calcula as perdas de receita em cerca de 50%, comparado com o ano passado, e afirma que o takeaway e a entrega ao domicílio não vão ser a tábua de salvação para o setor.

“A entrega ao domicílio ainda não está muito enraizada em Amarante e o takeaway, se não for feito em grande escala, não compensa. Não será, de certeza, a tábua de salvação da restauração”, anota.

Acrescenta que desde o início da pandemia, o número de funcionários se manteve o mesmo e que vai manter os 12 postos de trabalho “até poder”.

“Se isto continuar por mais dois, três meses, acredito que vamos conseguir manter todos os postos de trabalho, mas se se prolongar, teremos que passar aos despedimentos. Não há milagres”, conclui.

 

“Estamos há espera do dia em que teremos que fechar”

No restaurante Grelha, na Madalena, António Ribeiro indica que registou, no fim de semana, metade das receitas habituais do takeaway e que serviu dois clientes, nas instalações.

O proprietário da casa com mais de 40 anos explica que as dificuldades se vão amontoando desde o início da pandemia, em março, e que se estão a agravar com o atual estado de emergência.

“Ainda estamos a lidar com despesas e contas dos períodos anteriores de confinamento e, agora, temos quebras acrescidas. É razão para estarmos preocupados”, explica.

 

António Ribeiro – foto Paulo Alexandre Teixeira

 

Por estes dias, as refeições para fora têm sido a atividade principal do restaurante, mas o serviço é pouco lucrativo, acrescenta.

O empresário, que também tem um salão de banquetes noutro local da cidade, parado desde março, já teve que eliminar três postos de trabalho e disse que “está fora” dos apoios do Estado, mas sem acrescentar detalhes.

Na semana passada, publicou um vídeo nas redes sociais para recordar que tem serviço ao fim de semana e convida os clientes a fazer reservas para jantares de Natal e outros eventos.

“O vídeo já teve mais de 11 mil visualizações, acho que já vale qualquer coisa”, afirma. E acrescenta:

“Nunca vi uma crise como esta, não há história de uma situação similar. Estamos sempre há espera do dia em que teremos que fechar, em definitivo”.

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