A presidente da direção da Associação Ajuda Animais em Amarante diz que a situação de animais errantes no concelho é “grave” e que só a esterilização pode resolver o problema, a longo prazo.
A associação sem fins lucrativos, fundada em 2015, tem sede em Gondar e zela por mais de duas centenas de animais a viver na via pública da cidade e de várias freguesias de Amarante.
Ana Silva explicou, em declarações ao Expresso de Amarante, que o tema da esterilização é urgente porque “se fala em voltar a legalizar o abate de animais a viver em abrigos e canis”.
“A esterilização não retira animais da rua, mas evita que mais se lhes juntem”, explicou, frisando que os resultados serão aparentes, “daqui a uns anos, quando os que andam por aí finarem sem deixar descendência”.
“É, simplesmente, uma questão de prevenir em vez de adotar medidas reativas que, saliento, não resolveram o problema no passado e, certamente, não irão resolvê-lo agora”, acrescentou.
No limite das capacidades
Ana Silva adiantou que a associação, vocacionada para prestar apoio a animais doentes e a viver em situação de abandono, chegou ao limite das suas capacidades.
“Há cerca de duas semanas, deixamos de atender a novas situações. Estamos simplesmente sobrecarregados”, revelou.
Para além do apoio no exterior, a associação opera um abrigo, em Gondar, onde tem recolhidos 17 cães.

Mais animais resgatados estão em famílias de acolhimento temporário (FAT) e também com voluntários da associação.
A dirigente acrescentou que a Ajuda Animais entregou, nos últimos três anos, cerca de 500 crias resgatadas a uma empresa que trata do processo de adoção de animais de companhia.
“Imagine-se esses animais, a viver nas ruas de Amarante”, frisou, acrescentando que já terá resgatado 21 “bebés” (como se refere às crias), numa só situação.
Dinheiro é a maior preocupação
Ana Silva adiantou que fechou as contas de 2019 com cerca de 20 mil euros de despesas em veterinários e farmácias.
Acrescentou que, nos últimos cinco anos, recebeu 13 mil euros em apoios do Município, cerca de 10% das despesas anuais.
“É a nossa maior preocupação, o dinheiro. Só para dar um exemplo, tratar de uma pata partida são logo 500 euros. Como só recolhemos animais feridos e em perigo de vida, quase todos custam ainda mais que isso”, adiantou.
A diretora revelou, ainda, que os voluntários gastam, muitas vezes, “dinheiro do próprio bolso” e que as deslocações para assistir os animais na rua são feitas nas suas próprias viaturas.
“Tudo o resto são donativos de particulares e empresas, os quais agradecemos imenso”, acrescenta.

O surto de covid-19 também veio colocar entraves à associação, quando as campanhas nacionais de recolha de ração foram suspensas, durante os períodos de confinamento.
Na altura, a Ajuda Animais lançou diversos apelos públicos para a doação de ração para cães e gatos.
“A resposta foi positiva, felizmente, e posso dizer que essa situação foi ultrapassada”. E concluiu:
“Apesar de tudo, há sempre um grupo de pessoas com quem podemos contar, no imediato, se nos faltar alguma coisa”.

TEXTO E FOTOS: Paulo Teixeira