As presidentes de junta de Telões e Rebordelo disseram hoje ao Expresso de Amarante que se opõem à eventual exploração de lítio nas suas freguesias, alertando para os “impactos negativos” que o processo trará à qualidade de vida das populações.
Em declarações prestadas à parte da sessão de esclarecimento hoje promovida pelo movimento “Amarante diz não à exploração de lítio Seixoso/Vieiros”, Ivone Ribeiro, autarca de Telões, afirmou discordar do projeto pelo impacto [negativo] que vai ter, salientando que o processo “não traz benefícios” para o território.
A localidade de Todeia, naquela freguesia, insere-se em Seixoso-Vieiros, uma das seis zona de prospeção de lítio onde o Governo vai lançar um concurso para a prospeção e pesquisa de lítio.
“Pelo que ouvimos hoje, e segundo o dizem estas pessoas entendidas, não compensa destruir tanta coisa para explorar um bocado de lítio. Saio daqui com a convicção de que não [nos] traz benefícios”, afirmou, frisando que está “ao lado da população de Telões”, nesta matéria.
Por seu lado, a presidente de junta de Rebordelo, Cláudia Silva, disse ao Expresso de Amarante que os problemas causados por uma eventual exploração de lítio são contrários “a um ambiente de vida humano, sadio, ecologicamente equilibrado e o dever de o defender, como está descrito na Constituição”.

A autarca frisou, ainda, que qualquer benefício económico ou financeiro para a freguesia não compensa pelos danos que serão, eventualmente, causados na paisagem, nas águas e, em geral, na qualidade de vida das pessoas.
“Não vejo benefício nenhum, nada justifica a perda de tudo isto que temos [em Rebordelo], acrescentou.
Na sessão promovida esta tarde, participaram vários convidados que prestaram esclarecimentos sobre o assunto, nomeadamente Carlos Seixas, representante do movimento SOS Serra de Arga, uma das oito zonas inicialmente prevista nos planos do Governo, entretanto cancelada.

Na sua intervenção, o ativista frisou que o modelo de desenvolvimento para Amarante tem de ser determinado pelos cidadãos “e não por um decreto que lhes vai dizer que vão ter minas, seja como for”.
Carlos Seixas afirmou, ainda, que o que separa a prospeção de uma exploração [de minério] “é um relatório da Agência Portuguesa do Ambiente”.
“E toda a gente sabe o que decide: sim, ou sim com condicionantes, nunca diz não. São vocês, amarantinos, que vão ter que dizer o modelo de desenvolvimento que querem: com minas ou sem minas”, acrescentou.
