O líder da bancada socialista na Assembleia Municipal de Amarante afirmou que o orçamento municipal de 2021 hoje aprovado é um “mea culpa” do executivo liderado por José Luís Gaspar e que tem muitas dúvidas quanto à capacidade para a sua execução.
PS absteve-se na votação do orçamento de 65,6 milhões de euros, o maior de sempre do município.
Na intervenção sobre a intenção de voto da oposição, Hugo Carvalho reconheceu que a preparação do orçamento de 2021 foi feita em diálogo com presidentes de junta e vereadores do PS, “ao contrário de anos anteriores”, mas frisou que tinha “muitas dúvidas” quanto à capacidade de execução.
“É o orçamento de quem não fez investimentos nas freguesias, ao longo dos últimos anos, e que faz agora um “mea culpa” criando a ilusão de que tudo irá ser feito no último ano de mandato”, afirmou.
O líder da bancada socialista sublinhou que esta é “uma estratégia perigosa”, relembrando os constrangimentos que se colocaram a algumas das empreitadas lançadas este ano pela autarquia.
Numa discussão anterior, os socialistas questionaram o que consideraram um baixo nível de execução do orçamento de 2020, que se situava nos 25 milhões de euros, no final de novembro, representando uma taxa de execução “abaixo dos 50%”.
José Luís Gaspar respondeu que vários dos projetos, nomeadamente da recuperação do Cineteatro e do Solar dos Magalhães sofreram atrasos por constrangimentos colocados pela pandemia da covid-19, nomeadamente na concessão dos vistos pelo Tribunal de Contas
Hugo Carvalho recordou as taxas de execução de anteriores orçamentos do atual executivo, explicando que percebe que “os orçamentos têm que ser cada vez mais rigorosos”, mas acrescentou que tem que haver capacidade para os executar.

“Agora propõe um orçamento de mais de 65 ME, para um ano em que ainda estaremos a lidar com a pandemia e sabe que será muito difícil a sua execução para prejuízo, mais uma vez, das juntas de freguesia, que vão ficar mais um ano sem as suas intervenções”, anotou.
O dirigente recordou ainda, que apesar de terem sido inscritas algumas das propostas que o PS apresentou ao orçamento, não viu todas “versadas no documento final” e que muitas das que foram incluídas “carecem de execução em específico porque estão em rúbricas demasiado genéricas”.
O deputado socialista concluiu, adiantando que o orçamento inclui propostas com que não concorda, nomeadamente de impostos sobre empresas, “que atualmente têm dificuldades em manter postos de trabalho”, acrescentando que a “Câmara continua a penalizar quem se instalou no território”.