Zeladora da igreja de Travanca homenageada pela Rota do Românico

Rosa Carvalho - foto Paulo Alexandre Teixeira

A zeladora do altar da igreja do Mosteiro de Travanca disse ao Expresso de Amarante que se sente “orgulhosa” do monumento do qual é cuidadora há mais de quatro décadas e que faz o trabalho de forma não renumerada por “um sentido de dever”.

 

Rosa Carvalho, mais conhecida por Dona Rosinha, foi uma das várias pessoas homenageadas pela Rota do Românico, pelo papel de cuidadores do património.

No domingo, a instituição entregou lembranças e certificados numa homenagem “àqueles que, de forma dedicada e incondicional, zelam e acarinham o monumentos, constituindo uma inestimável memória viva do local”.

“Foi uma surpresa, quando cá apareceram, em casa. Pensei logo que me vinham pedir para abrir a igreja”, explicou.

 

Rosa Carvalho recebeu distinção por ser cuidadora do património – foto Rota do Românico

 

A chave do templo foi-lhe entregue exatamente há 44 anos, mas aquela responsabilidade já era da família há mais tempo, revela.

“A minha avó paterna, a Emilinha, era a anterior zeladora. Foi no dia 06 de setembro que me entregaram as chaves. Naquele dia, o meu pai ficou muito orgulhoso pelo facto do cargo ter permanecido na família”, adiantou.

De uma forma ou outra, acrescenta, a sua família está intimamente ligada ao monumento ao longo de três gerações.

“Também contamos com um avô sacristão, que ainda foi guarda do mosteiro e cemitério. O meu pai, carpinteiro e armador, também ajudava nas procissões e festas, era ele quem montava as estruturas e a iluminação”, recorda.

 

Igreja do Mosteiro de Travanca – foto Paulo Alexandre Teixeira

 

Para além de tratar da limpeza da igreja e dos arranjos do altar, Rosa Carvalho, que hoje é acompanhada pela sua irmã, é também zeladora da capela de São Sebastião, na mesma freguesia.

No âmbito das suas funções, é ela quem abre a porta em dias de culto e ao crescente número de turistas e excursões que visitam o monumento integrado na Rota do Românico desde 2010.

“É um trabalho que fazemos sempre que possível, com muito gosto e sem renumeração, mais por um sentido de dever do que fé ou devoção”, explica. E acrescenta:

“E sinto muito orgulho quando alguém me diz que temos aqui um belo monumento”.

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